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04/05/2015 15:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

‘Batman do Paraná', secretário de Segurança reaparece, lamenta agressões a professores e volta a culpar ‘black blocs' (VÍDEOS)

Montagem/Facebook, Twitter e Estadão Conteúdo

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Fernando Francischini, fez a sua primeira aparição pública após a violência policial contra professores na semana passada, no Centro Cívico, em Curitiba. Na manhã desta segunda-feira (4), em entrevista coletiva, o ‘Batman do Paraná’ – como ele é conhecido por suas postagens nas redes sociais – lamentou o episódio, mas reafirmou o que o governador Beto Richa (PSDB) alegou: havia ‘black blocs’ no protesto.

"Não tem justificativa para o que aconteceu. As imagens são terríveis e nada justificativa. Temos duas obrigações agora. A primeira é instaurar um inquérito com todo rigor necessário e, inclusive, a designação de um promotor de Justiça para acompanhar todos os atos deste inquérito policial. A segunda é que também temos que avaliar a atuação destes grupos radicais, que foram o grande estopim desse movimento policial (...). O planejamento é da PM e o resultado foi terrível, porque tornou-se um campo de guerra", afirmou o secretário.

Durante a coletiva, Francischini apresentou vídeos que mostram grupos de pessoas mascaradas durante a manifestação. Uma fonte ligada à Polícia Militar do Paraná repassou ao Brasil Post vários dos vídeos que o governo paranaense pretende anexar às investigações sobre o episódio de violência registrado em Curitiba, o “pior da história do Estado”, segundo definição de especialistas na semana passada.

Galeria de Fotos PM e os 'black blocs' no PR Veja Fotos

De acordo com informações do jornal Gazeta do Povo, Francischini disse que sete dos detidos durante o incidente eram black blocs, com base em apurações da Secretaria de Segurança Pública. A informação é contrária ao que foi divulgado pela Defensoria Pública do Paraná, que afirmou que “nenhuma das pessoas detidas foi autuada em virtude da prática de crime de dano ao patrimônio público ou privado, porte de arma ou artefato explosivo”.

Quebrar o silêncio, porém, não diminui a pressão sobre Francischini. Acusado de ser um ‘criminoso’ por manifestantes no protesto de sexta-feira passada, ele é alvo também de aliados de Beto Richa. Apesar de não citar o nome do secretário, o deputado federal Valdir Rossoni (PSDB-PR) afirmou em uma rede social que os “responsáveis pelas atitudes desmedidas, pelos desmandos, pelos exageros” devem ser demitidos ou devem “pedir para sair”. Pouco depois, o tucano apagou a mensagem.

Na PM do Paraná, também existem os descontentes com a condução que Francischini vem fazendo da segurança no Estado. “Estou extremamente preocupado. Ele está introduzindo uma cultura de violência na corporação”, disse o coronel da reserva da PM, Elizeo Furquim, presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Militares do Paraná (AMAI), ao jornal O Estado de S.Paulo.

Além de Francischini, o secretário estadual de Educação Fernando Xavier Ferreira é outro alvo das críticas dos governistas, irritados com o desgaste do governo em menos de cinco meses do início do novo mandato de Richa.

Mais de 30 mil confirmam presença em protesto desta terça

Uma manifestação marcada para esta terça-feira na Praça 19 de Dezembro, em Curitiba, já conta com mais de 30 mil confirmados na página criada no Facebook. É mais um ato em apoio aos professores e contra a violência policial registrada na semana passada nos arredores da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Na sexta-feira passada, 5 mil pessoas participaram de um protesto semelhante na capital paranaense.

A concentração está marcada para as 9h. Às 11h, os manifestantes saem em caminhada até o Centro Cívico. Também nesta terça-feira, a APP-Sindicato, entidade que representa os professores no Estado, define os rumos da greve que já dura pouco mais de uma semana no Paraná. É a segunda paralisação da categoria em 2015. A primeira, no início do ano, durou 29 dias.

Amanhã a tarde, todos(as) à assembleia!Pela manhã, grande ato contra violência e pela democracia, à partir das 9h com concentração na Praça 19 de dezembro. Participe!#eutonaluta

Posted by APP-Sindicato on Segunda, 4 de maio de 2015

Associação quer imagens de PMs feridos

A Associação de Praças do Estado do Paraná (APRA) enviou ofício ao comando da PM do Paraná solicitando imagens de policiais feridos durante o massacre de professores da semana passada. A única postagem de um suposto policial ferido acabou ridicularizado nas redes sociais, uma vez que o PM tentou passar a imagem de que o líquido vermelho seria sangue, quando na verdade a própria corporação negou e deu outra versão.

De acordo com a APRA, o material é importante para auxiliar as investigações do Ministério Público do Paraná (MP-PR), que já investiga os eventuais abusos da polícia no Centro Cívico. “A APRA defende os policiais pais de família que estavam cumprindo seu dever, e repudia veementemente abusos cometidos pelas partes envolvidas, sendo que estes deverão ser identificados e punidos pelos atos praticados”, divulgou a entidade.

O governo do Paraná também abriu um inquérito para apurar eventuais responsabilidades.

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