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03/05/2015 12:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Arthur Zanett e Flávia Saraiva trazem medalhas de ouro e prata no Mundial de Ginástica Olímpica para o Brasil

Estadão Conteúdo

Marcos Goto está duplamente feliz. O treinador da seleção brasileira de ginástica artística viveu uma emoção única neste domingo, quando viu seu pupilo mais famoso, Arthur Zanetti, e seu enteado, Henrique Medina Flores, a quem chama de "filho", fazerem dobradinha de ouro e prata na final das argolas da Copa do Mundo de São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera.

Último a se apresentar, Zanetti já sabia da novidade. Afinal, seu amigo de infância Henrique Flores tinha a melhor nota até então. Atleta de Goto desde a infância - foi nos treinos em São Caetano que a mãe, Guadalupe, se aproximou do treinador -, Henrique não repetiu os desempenhos que lhe valeram medalha em Doha e Medellín no ano passado, mas assumiu a liderança com 15.100.

O argentino Frederico Molinari se apresentou entre os dois brasileiros e, quando saiu a nota dele no telão, viu a torcida vibrar com seus 15.000. O ouro seria brasileiro de qualquer forma.

Aí, só restava o impressionante Arthur Zanetti fazer o que sempre faz. Com mais uma série limpa, tecnicamente perfeita, o astro recebeu 15.900, exatamente a mesma nota que lhe valeu o ouro olímpico em 2012.

PRATA - Antes, Diego Hypolito recebeu a sua segunda medalha em São Paulo. Depois do bronze no salto, o veterano de 28 anos deixou de lado as dores nas costas para voltar ao Ibirapuera e se apresentar na decisão do solo com uma série mais simples do que está acostumado.

O brasileiro teve a melhor execução entre todos os finalistas (8.950), mas acabou superado pelo chileno Enrique Thomas González, que apresentou série mais elaborada. Último a se apresentar, Diego Hypolito recebeu nota 15.550, contra 15.625 do rival sul-americano. O bronze ficou com Mathias Fahrig, alemão que ganhou a torcida e levou 15.475 dos juízes.

"Estou bem satisfeito com o que apresentei. Foi uma série bem melhor do que do primeiro dia, dificultei uma única passada. No aquecimento fiz todas as passadas, mas minha coluna está atrapalhando bastante", contou Diego.

Campeão no salto no sábado, Ângelo Assumpção se apresentou com forte apoio do público, que fez muito barulho quando ele subiu no tablado. O garoto de 18 anos, entretanto, falhou na aterrissagem de todos os saltos e acabou apenas na sétima posição, com 14.500.

Flávia Saraiva levou o ouro E a prata

Flávia Saraiva mostrou neste domingo por que a ginástica artística do Brasil deposita tantas esperanças nela. Em São Paulo, repetiu o desempenho dos Jogos Olímpicos da Juventude e faturou uma medalha de ouro e outra de prata no segundo e último dia de finais da Copa do Mundo, no Ibirapuera. Ganhou no solo e foi segunda colocada na trave, com a mesma nota que deu à norte-americana Simone Biles o título mundial no ano passado: 15.100.

Se na fase de classificação, sexta, Flávia caiu ao se apresentar na trave, desta vez a brasileira de 1,33m foi perfeita. Levantando o público a cada exercício bem executado, foi ganhando confiança até encerrar a apresentação ovacionada. A nota demorou a sair, enquanto o telão mostrava uma menina alegre com o acolhimento da torcida. Quando o 15.100 apareceu na tela, era só a confirmação de que tudo havia dado certo.

Há de se reconhecer, entretanto, que não é só o Brasil que produz talentos. Chiunsong Shang, da China, que já havia tirado 15.100 na eliminatória, foi ainda melhor que Flávia na final, com incríveis 15.400. Levou o ouro, deixando a brasileira com a prata.

No solo, a disputa não teve o mesmo nível técnico. Após uma boa apresentação da alemã Elizabeth Seitz (13.400), a primeira a subir ao tablado, as notas foram piorando ginasta após ginasta. Ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude na prova, Flavinha sabia que não precisava de muito para garantir medalha em São Paulo.

A torcida competiu junto. Vibrou a cada salto cravado e acompanhou a parte coreografada da apresentação com palmas. A garota se animou, fechou bem a série e saiu sorridente. Enquanto ela esperava a nota (13.625) que fez a torcida explodir, o técnico Alexandre Carvalho recebia os cumprimentos sinceros dos treinadores rivais. Afinal, lapidou um talento.

O ouro ainda não estava garantido, porque faltava a apresentação da alemã Leah Griesser. A torcida se comportou bem. Aplaudiu a atleta antes da série, comemorou os acertos da europeia, mas não deixou de fazer grande festa quando veio a nota, 13.325, que a deixou o bronze. Flavinha era a campeã da prova.

Lorrane Oliveira também participou da final do solo. Caiu logo na primeira sequência e terminou em último. "É errando que se aprende", disse ela, depois, na zona mista.

O Brasil encerrou a Copa do Mundo em São Paulo com nove medalhas: ouro de Arthur Zanetti (argolas), Flávia Saraiva (solo) e Ângelo Assumpção (salto); prata para Henrique Medina Flores (argolas), Rebeca Andrade (salto), Diego Hypolito (solo) e Flávia Saraiva (trave); além de bronze com Diego Hypolito (salto) e Francisco Barreto (barra paralelas).

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