COMPORTAMENTO
30/04/2015 10:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Pode e não pode: Fotógrafa discute liberdade da nudez feminina no Facebook (FOTOS)

Julia Rodrigues / Reprodução

Um mamilo, a denúncia, um aviso e a inevitável censura. Depois de ter uma imagem excluída do Facebook no começo de abril, "culpa" do seio à mostra de uma modelo em um ensaio artístico publicado na plataforma, a fotógrafa carioca Julia Rodrigues decidiu lançar um experimento.

Em sua página na rede social, a fotógrafa começou a publicar imagens com ensaios frontais de homens e mulheres sem camisa. O objetivo? Registrar quantas dessas fotografias serão denunciadas pelos usuários e, posteriormente, deletadas depois da análise feita pelo Facebook. Homens ou mulheres, quem pode ficar com o peito de fora?

"Essas fotos fazem parte de um experimento meu dentro do Facebook. Com o tempo quero ir enchendo essa pasta com retratos de pessoas que se dispuserem a vir ao meu ateliê e posar para um retrato com o peito desnudo. Quais serão consideradas impróprias pelo público e pelo sistema do facebook? Quais serão as diferenças reais entre um retrato e outro? O que seria tão ofensivo em um mamilo que não é ofensivo em outro?"

No crescente acervo do projeto - intitulado Pode e Não Pode -, uma série de anotações curiosas. Na imagem dos homens, frases como: "sem denúncias nem reclamações" ou "denunciada duas vezes e liberada duas vezes pelo sistema do Facebook". Já nas fotografias das mulheres: "conteúdo removido porque não segue os padrões da comunidade do Facebook em relação à nudez" ou "grandes chances de não poder".

As anotações - feitas em cada foto pela própria fotógrafa - refletem o comportamento dos visitantes da página e demais usuários da rede social que podem denunciar as imagens caso considerem o conteúdo "impróprio". "No início do projeto a ideia era postar todo mundo sem tarja preta e esperar o sistema censurar, mas como já recebi 24 horas de bloqueio [do Facebook] e o próximo será mais longo, achei melhor segurar um pouco", disse Rodrigues.

Depois de ter sido "posta de castigo" pelo Facebook, a fotógrafa precisou se adequar às normas impostas pela rede social. Como o período de bloqueio aumenta a cada nova denúncia, restringindo a publicação de comentários e até mesmo "curtidas" do usuário, Rodrigues censurou parte do ensaio, inserindo tarjas pretas nas fotografias de mulheres. Os homens, continuam com o peito à mostra, livres, mesmo com algumas denúncias.

"Publiquei a foto da Nina [modelo na primeira foto] e ela foi apagada sem nenhum aviso anterior. Postei de novo com uma tarja pequena e ela foi apagada de novo e eu fiquei de castigo por 24 horas", relata a fotógrafa que não sentiu a mesma pressão do Facebook nas fotos dos homens. "A primeira foto que publiquei de um homem [sem camisa] também foi denunciada. Mas o Facebook não apagou. Recebi um aviso de que a imagem estava sendo analisada depois de uma denúncia. Algumas horas depois recebi um aviso de que ela não continha nudez e estava estava bem", disse Rodrigues.

Esta não é a primeira vez que a restrição aos mamilos em redes sociais é discutida por fotógrafos ou mesmo usuários do Facebook. Em 2014, depois da campanha #FreeTheNipple, a plataforma de Mark Zukerberg precisou rever sua política de imagens, autorizando a publicação de imagens com mulheres amamentando. Outras plataformas, caso do Instagram, já admitiram que nem sempre "acertam" quando se trata de nudez.

Mesmo com as restrições, o experimento de Julia Rodrigues - marcado pela hashtag #podenaopode - continua em funcionamento. "Quero fazer outros testes no Facebook. Recortar os mamilos [dos homens e mulheres] e trocar de lugar nas fotos pra ver o que acontece". Nas imagens abaixo, uma pequena mostra do ensaio produzido com amigos que visitaram o estúdio da fotógrafa.

  • Julia Rodrigues / Reprodução
  • Julia Rodrigues / Reprodução
  • Julia Rodrigues / Reprodução
  • Julia Rodrigues / Reprodução
  • Julia Rodrigues / Reprodução