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30/04/2015 17:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Na pindaíba, Corinthians divulga balanço enquanto Câmara discute financiamento do futebol

O balanço de 2014 do Corinthians foi publicado nesta quinta-feira (30) no jornal O Estado de S.Paulo e comprova o agravamento da crise financeira do clube. Em relação à temporada de 2013, a receita do Corinthians caiu 18,29%. O endividamento, contando o déficit operacional, chega a R$ 21 milhões, no caso do futebol. Os empréstimos saltaram de R$ 34,82 milhões em 2013 para R$ 42,09 milhões em 2014. As dívidas com fornecedores passaram de R$ 36,22 milhões para R$ 56,93 milhões.

Um dos pontos de maior destaque na demonstração financeira é a queda na arrecadação de bilheteria (R$ 32 milhões em 2013 e R$ 6,9 milhões em 2014). Por outro lado, o Corinthians é líder em público total na Copa Libertadores em 2015 e registra médias superiores a 25 mil pagantes desde a inauguração do Itaquerão.

Neste caso, a queda se explica pela engenharia financeira adotada na construção da nova arena. Os recursos arrecadados com a bilheteria vão para um fundo específico para pagamento do empréstimo com o BNDES. De acordo com o balanço, a dívida gira em torno de R$ 396 milhões.

Na carta que precede a divulgação dos números, Mário Gobbi, presidente do Corinthians até o ano passado, justifica a crise com a conjuntura econômica, a não classificação para a Libertadores no ano passado e a destinação da bilheteria para o pagamento do novo estádio. "As dificuldades financeiras não tiram o brilho das nossas conquistas", escreveu Mário Gobbi Filho.

MP do Futebol

O balanço do Corinthians vem na semana durante a qual o presidente da CBF, Ricardo del Nero, se reuniu se reuniu com o ministro do Esporte, George Hilton para pedir mudanças na Medida Provisória (MP) 671/15. A chamada MP do Futebol trata do refinanciamento das dívidas fiscais dos clubes e é contestada por times e pela própria CBF. O encontro aconteceu , na terça-feira (28), em Brasília.

Del Nero apresentou propostas de alteração da MP ao ministro e a deputados presentes na audiência no gabinete de Hilton. "Minha pessoa e a CBF estão à disposição do ministério para que a gente possa em comum acordo buscar a melhor posição para o futebol brasileiro no cenário internacional", disse o novo presidente da CBF, empossado no dia 16.

O dirigente não entrou em detalhes sobre as sugestões de mudança que apresentou. "É um assunto que os parlamentares estão discutindo. A gente trouxe alguns elementos para que a MP fique boa tanto para o governo quanto para os clubes. Não são coisas muito grandes. São pequenos ajustes e os deputados vão trabalhar em cima disso", afirmou Del Nero.

CBF e clubes tentam amenizar algumas das contrapartidas exigidas pelo governo para refinanciar as dívidas dos clubes. A entidade considera a MP "intervencionista" por exigir mudanças na gestão dos times de futebol. O governo federal, no entanto, alega que as condições impostas são inegociáveis.

"Os clubes precisam realizar algumas contrapartidas, como pagar os salários dos atletas e funcionários em dia, pagar os impostos em dia, manter todas as informações sobre gastos em balancetes na Internet, a responsabilização por eventuais desvios nos usos desses recursos, que é a chamada gestão temerária. Esses são pontos que o governo não negocia, foram amplamente discutidos", declarou o ministro do Esporte na audiência.

Sem sucesso no contato com o governo, CBF e clubes agora devem negociar com o Congresso Nacional. Del Nero já foi convidado para participar das discussões em uma audiência pública, no dia 7 de maio. O dirigente ainda não confirmou presença. No evento, ele deverá enfrentar a resistência de adversários políticos como o senador Romário (PSB-RJ) e o deputado Andrés Sanchez (PT-SP), vice-presidente da comissão mista instalada pelo Senado para discutir a MP do Futebol.

O grupo Bom Senso FC defende a aprovação da MP e chegou a se manifestar pelo twitter: