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29/04/2015 21:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Manifestações de 2013 foram mais sofisticadas que as de 2015, diz sociólogo

Montagem/Estadão Conteúdo

A relação entre internet e mobilização social foi tema de debate promovido na tarde desta quarta-feira, 29, pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC). O sociólogo e cientista político Rudá Ricci, autor do livro das manifestações de junho de 2013 disse que as manifestações de 2013 foram muito mais sofisticadas do que as mobilizações que foram às ruas este ano. "Nos confrontamos com uma nova lógica política", emendou.

Ricci citou que os partidos políticos e sindicatos, que costumam se achar os donos da verdade, falam apenas entre seus pares. "Petistas só falam com petistas, tucanos só falam com tucanos, a linguagem dos partidos se resume em falar bem de si e mal dos adversários, coisa que os jovens odeiam", disse durante o debate. E citou que o debate político nas redes sociais se dá mais nas versões do que com base nos fatos. "O que interessa nas redes sociais é a versão e não os fatos."

O sociólogo e cientista político falou também que hoje não há lideranças que reúnam essa multidão de pessoas que foram para as ruas em bandeiras específicas, na chamada 'terceira onda' que está ocorrendo nesses movimentos. "Nos deparamos com comunidades fechadas que não têm pretensões democráticas", ou seja, elas falam para os seus próprios pares, disse, destacando que essa é a razão de existirem tantas mensagens emocionais nas redes sociais.

O advogado Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, e um dos criadores do Marco Civil da Internet, que lança na semana que vem a plataforma Brasil.org para discutir temas como a reforma política, e que também participou do debate no Instituto Fernando Henrique Cardoso, disse que os debates em torno do tema estão sendo feitos com base em visões antigas. "Vamos debater a reforma política do século XXI, levando em conta o que a tecnologia pode fazer pela democracia", reiterou. Na mesma linha de Rudá Ricci, Lemos também destacou que as manifestações têm bandeiras e lideranças difusas. E disse: "É preciso provocar uma união, unir as ONGs que têm causas com esses movimentos que não tem causa definida."

O sociólogo Bernardo Sorj, também presente ao debate, disse em sua exposição que este é um tema que ainda demanda muitos estudos e avaliações. Na sua avaliação, a internet é uma amplificação de tudo o que nos rodeia.