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29/04/2015 11:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Fernando Haddad alfineta Marta Suplicy e diz que ‘hora do debate' para comandar a Prefeitura de SP vai chegar

Marcelo Camargo / Agência Brasil

O prefeito Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez sobre a saída da senadoraMarta Suplicy da sigla, oficializada nesta terça-feira (28). Em entrevista à Rádio Capital na manhã desta quarta-feira (29), o petista evitou fazer críticas diretas à agora ex-petista, a qual o ajudou a entrar na vida política, mas não concordou com as razões apontadas por ela para sair.

“Por cinco vezes ela (Marta) foi candidata majoritária, fora deputada, e duas vezes ministra nomeada pelo (ex-) presidente Lula. Então a crítica de que ele não a prestigiou não me parece justa. Acho que ele deu todo o apoio, o presidente Lula sempre prestigiou todos os companheiros, mas ninguém pode ter exclusividade do apoio. Você está em um colegiado, tem que dar espaço para outras pessoas”, afirmou Haddad.

Marta Suplicy alegou, na sua saída, que o PT se desviou dos seus caminhos nos últimos anos. Oficialmente, ela negou que a mudança de partido tenha ligação com o seu desejo de sair candidata à Prefeitura de São Paulo em 2016 – com Haddad no partido, a tendência é que ele tente a reeleição. O atual prefeito preferiu negar que tenha se decidido pela reeleição, porém ressaltou que o momento desse debate chegará.

“Temos um ‘ano sim’, um ‘ano não’ de eleições. No ‘ano não’, vamos discutir os problemas que temos que enfrentar. No ano de eleição, aí cada um vai apresentar a sua plataforma, vai dizer o que fez, quanto pegou com dívida, quanto largou com dívida para o sucessor, se estragou as contas púlicas, se planejou o futuro da cidade. É isso que a população vai querer saber”, explicou o prefeito.

Durante a defesa do PT, Haddad ainda alfinetou o PSDB, o partido que tem “sempre os mesmos dois candidatos”, sem tecer nomes – possivelmente, no âmbito paulista, o petista deveria estar se referindo a Geraldo Alckmin e José Serra, que capitanearam quase todas as disputas majoritárias em caráter municipal, estadual e até federal nas últimas duas décadas. O prefeito lembrou o próprio a si mesmo e o caso de Alexandre Padilha, que foi candidato ao governo de SP em 2014, como bons exemplos de renovação necessária.

Em relação à capital paulista, Haddad voltou a defender as ciclovias e as faixas exclusivas de ônibus, as quais contribuem para o ganho de velocidade dos ônibus e ganho de tempo na vida da população.

Sobre o protesto realizado durante uma aula do prefeito na pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP) na última segunda-feira (27), o petista reconheceu que há uma carência de transporte público na zona sul da cidade, mas disse que ‘questões ambientais’ não o colocam como único ‘vilão’ nessa discussão.

“É um drama isso. Eu reconheço que há uma grande dificuldade dos moradores em saírem da região. Nos comprometemos a fazer uma discussão com eles lá, levar as autoridades também do Estado e da prefeitura lá (para discutir soluções). O que os órgãos ambientais temem? Se leva linha de ônibus regular, você estimula a ocupação daquilo que não pode ser ocupado. Há área de água, de preservação ali. As duas principais represas – Billings e Guarapiranga – estão lá”, defendeu-se.

O prefeito reforçou que irá cumprir todas as suas promessas de campanha, com a inauguração de hospitais e disponibilização de mais vagas em creches e moradias. Quanto à dengue, Haddad disse que 80% dos focos do mosquito são domiciliares, o que comprovaria que é um problema comportamental da população em não permitir a existência de criadouros do mosquito.

Contra a cobrança das sacolinhas

Haddad falou ainda sobre a ação da Prefeitura de São Paulo na Justiça que quer barrar a cobrança pelas novas sacolas plásticas feita pelos supermercados. A ação civil pública foi protocolada no começo da noite de terça-feira na Vara da Fazenda Pública, na Justiça Estadual, e tem objetivo similar ao pedido da SOS Consumidor, que recorreu judicialmente contra a cobrança, mas teve a liminar negada na semana passada.

Na ação ajuizada pela Prefeitura, Haddad pede que a Justiça conceda liminar contra a Associação Paulista de Supermercados (Apas), Carrefour, Pão de Açúcar, Walmart, Futurama, Sonda, D’Avó Supermercados e Supermercado Dia. A Apas é a mais representativa entidade do setor de supermercados de São Paulo, com 1.258 empresas. Caso a Justiça decida favoravelmente à Prefeitura, os associados da Apas e os sete estabelecimentos citados na ação estarão impedidos de vender as sacolas reutilizáveis.

As embalagens - nas cores verde e cinza - começaram a circular no comércio no dia 5 de abril, como alternativa do poder municipal às tradicionais sacolas brancas, que passaram a ser proibidas por lei. De acordo com a Prefeitura, "ao cobrar pelas sacolas reutilizáveis, o comércio varejista desestimula a política municipal de reciclagem". A venda das sacolas plásticas, argumenta a Prefeitura, "é um empecilho para o sucesso de qualquer programa de reciclagem".

“O que pedimos aos mercados? Já que existia uma lei proibindo a sacola plástica, nós criamos uma sacolinha verde para estimular a coleta seletiva e imaginávamos que os mercados fossem aderir para que as pessoas, no dia da coleta seletiva, depositassem o material reciclável. Para nossa surpresa, todos resolveram cobrar, nem teve concorrência entre eles”, afirmou Haddad, defendendo a ação do município.

O texto explica que o comerciante, que deveria contribuir para o combate à degradação ambiental, "age no sentido de repassar integralmente ao consumidor o custo dessa reparação". E completa: "Mais que isso: não colabora (a rigor, "joga contra") com o poder municipal". Dos 96 distritos da capital, 40 têm coleta seletiva universalizada. Em 2015, a meta Haddad é universalizar mais 14 distritos - e chegar a 100% em 2016.

Na ação da SOS Consumidor, que acabou sendo extinta por desistência da entidade, apenas o aspecto de uma suposta cobrança abusiva era abordado. A SOS entendia que havia duplicidade em vender o item, já que o preço estaria embutido nos valores dos demais produtos.

Na ação, Haddad faz um apelo para a cooperação "essencial" entre o setor público e o empresarial no cumprimento da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), que prevê a redução na geração de resíduos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. "A substituição dos antigos modelos de sacolas plásticas por sacolas reutilizáveis, destinadas especificamente à coleta seletiva, é uma importante iniciativa de aprimoramento do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos", em aplicação da política nacional. As novas sacolas teriam a função, segundo o texto, de "conscientizar" consumidores sobre a necessidade da separação correta dos resíduos.

(Com Estadão Conteúdo)

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