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28/04/2015 10:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Senadora Marta Suplicy deixa o PT após 33 anos de partido

MURILLO CONSTANTINO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) formalizou nesta terça-feira (28) seu pedido de desfiliação do Partido dos Trabalhadores, ao qual é filiada há 33 anos. A informação foi antecipada pela coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo. É a confirmação de uma notícia já conhecida há algum tempo.

Segundo fonte do diretório estadual, o departamento jurídico do partido está avaliando o documento e deve se pronunciar em breve sobre o assunto.

“No meu sentir, e de toda a nação, os princípios e o programa partidário do PT nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente”, escreveu Marta em sua carta de desfiliação, de quatro páginas e cujo trecho foi reproduzido pelo jornal. A senadora deve protocolá-lo à tarde nos diretórios municipal, estadual e nacional do partido.

Marta Suplicy ainda diz não temer a perda do mandato, uma vez que recebeu 8 milhões de votos e é a eles quem deve fidelidade. Segundo a Folha, a senadora deve ficar por um período sem partido, mas especula-se que o seu provável destino será o PSB. O foco é encabeçar a chapa da sigla na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2016.

A impossibilidade de concorrer ao cargo – o prefeito petista Fernando Haddad deve tentar a reeleição –, o qual ela já ocupou entre 2001 e 2004, foi apenas um elemento na conjectura que fez Marta ensaiar a sua saída do PT. O processo começou em novembro do ano passado, quando ela saiu atirando do Ministério da Cultura. E as críticas não cessaram.

Depois de chegar a dizer que o “ou o PT muda ou acaba” e não poupar críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, Marta foi criando um cenário em que a sua permanência se tornou impossível. No último sábado (25), em entrevista à revista Veja, a senadora disse que o partido “traiu os brasileiros”. Um dia antes, indicou no Facebook que a saída era iminente.

“Não gasto energia no que não tem jeito. Viro a página da vida e olho pra frente com esperança. Acredito na minha intuição. Às vezes ela dá trabalho e preciso coragem. Para encerrar: a vida é curta, temos de buscar felicidade, sem esquecer que sem sonho ou projeto ela se apequena”, escreveu Marta, reproduzindo trecho da coluna postada no mesmo dia na Folha.

Leia "Tenha fé", artigo de Marta publicado na Folha de hoje.Tenha féSteve Jobs viveu os anos hippies de maneira...

Posted by Marta Suplicy on Sexta, 24 de abril de 2015

PT tenta se reaproximar do PSB

Se confirmada a ida da ex-prefeita de São Paulo para o PSB, ela terá de lidar com a tentativa do PT em se reaproximar do partido que foi seu aliado até 2013. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, Dilma desembarca nesta terça-feira em Pernambuco, para dar seguimento à sua estratégia de se aproximar de governadores do PSB. A presidente quer atrair o partido de volta à base aliada.

Ao lado do governador Paulo Câmara, ela inaugura a fábrica da Fiat em Goiana, a 66 km do Recife. A família de Eduardo Campos, ex-dirigente do PSB que morreu em acidente aéreo em agosto do ano passado, confirmou presença. Está prevista uma homenagem a Campos, que governou o Estado de 2007 a 2014.

Há dez dias o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da inauguração de uma fábrica da cerveja em Itapissuma. Lula sentou-se ao lado de João Campos, filho mais velho do ex-governador, e rememorou sua relação com Campos. O petista também aproveitou a oportunidade para visitar Paulo Câmara.

O PSB foi aliado do PT durante os dois mandatos de Lula e na maior parte do primeiro governo de Dilma. No entanto, entregou os cargos federais em outubro de 2013 para lançar Campos ao Planalto. Após o acidente, a sigla lançou o nome de Marina Silva.

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