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27/04/2015 13:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

O que as crianças da ditadura acham dos pedidos de intervenção militar

As propaladas manifestações recentemente convocadas pela direita brasileira deram margem aos entusiastas da intervenção militar. Camuflados em meio a uma multidão que se esgana pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e pelo fim da corrupção, eles pedem que as Forças Armadas voltem a intervir no cenário político nacional. Entrevistados que vivenciaram a ditadura enquanto crianças falam à VICE sobre fichamento, exílio político, pais torturados e mortos, além do estranho desejo de quem clama pelo retorno dos militares ao poder.

Fruto de um relacionamento entre dois guerrilheiros que se encontraram durante o exílio em Cuba, a pedagoga Ñasaindy Barret de Araújo tinha menos de dois anos quando o pai voltou para a luta armada no Brasil. Era 1970. Meses depois, a mãe também retornou. Integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), ambos foram mortos.

Sozinha no Estado cubano, a garota ficou sob a tutela da também exilada Damaris Oliveira Lucena, recém-chegada ao país ao lado de seus três filhos. Na maioria das fotos da infância, Ñasaindy não esboça muitos sorrisos. "Meus seis primeiros anos de vida foram tristes. Todo mundo diz que eu chorava muito", relata.

Entender como os pais puderam deixar um bebê sozinho em outro país para voltar à militância no Brasil foi um processo doloroso. "Não tem como dizer que não houve dor ou sofrimento. É aquela velha história: você está no mundo sem pai nem mãe."

Os atuais clamores por intervenção militar e o temor por um golpe de Estado a fizeram refletir e compreender melhor os motivos dos progenitores.

"Foi a primeira vez que me perguntei isso: eu entraria em uma luta armada? A possibilidade de um golpe, hoje, seria um retrocesso. Não conseguiríamos só ficar olhando. Tentaríamos dar um jeito. Foi a primeira vez que percebi a importância. Agora, consigo entender minha mãe e meu pai."

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