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27/04/2015 09:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Milhares de nepaleses deixam capital com medo de tremores secundários; número de mortos chega a 3.700

AP Photo

Milhares de nepaleses começaram a deixar a capital Katmandu nesta segunda-feira (27), com o medo espalhado pela cidade após dois dias de tremores secundários e mediante a escassez de água e comida após o terremoto que matou mais de 3.700 pessoas.

Um funcionário do Ministério do Interior disse que as autoridades não têm conseguido fazer contato com algumas das áreas mais afetadas no país montanhoso, e que o número total de mortos pode chegar a 5.000.

As estradas de saída de Katmandu ficaram lotadas de pessoas, algumas carregando bebês no colo. Muitas tentavam subir em ônibus ou conseguir caronas em carros e caminhões para as planícies.

Enormes filas se formaram no Aeroporto Internacional de Tribhuvan, na cidade, com turistas e moradores desesperados para pegar um voo para fora do país.

"Estou disposto até mesmo a vender o ouro que eu estou usando para comprar uma passagem, mas não há nada disponível", disse Rama Bahadur, uma indiana que trabalha na capital do Nepal.

Boa parte do um milhão de habitantes de Kathmandu tem dormido ao relento desde o terremoto, ou porque suas casas foram destruídas ou por estarem aterrorizados com os tremores secundários, pois temem que possam ocorrer novos desabamentos.

"Estamos fugindo", disse Krishna Muktari, que dirige uma pequena mercearia na cidade de Katmandu, parado em uma grande interseção da estrada. "Como você pode viver aqui? Eu tenho filhos, eles não podem estar correndo para fora de casa toda a noite."

Sobrecarregadas, as autoridades estavam tentando lidar com a escassez de água potável, alimentos e eletricidade, bem como a ameaça de doenças. O governo apelou por ajuda internacional.

"O grande desafio é a ajuda", disse o secretário-chefe Leela Mani Paudel, principal funcionário do governo do país. "Pedimos aos países estrangeiros que nos doem material especial de socorro e enviem equipes médicas. Estamos realmente desesperados por obter mais apoio especializado do exterior para lidar com esta crise."

No alto do Himalaia, em um acampamento-base no Monte Everest onde estavam centenas de alpinistas, uma enorme avalanche após o terremoto matou 17 pessoas, no pior desastre do tipo a atingir a montanha mais alta do mundo.

As equipes de resgate, ajudadas pelo tempo límpido, usaram helicópteros para retirar dezenas de pessoas presas em altitudes mais elevadas, duas de cada vez.

As pessoas doentes e feridas estavam deitadas ao ar livre, em Katmandu, por falta de camas nos hospitais da cidade devastada. Cirurgiões montaram uma sala de operações dentro de uma barraca no terreno da Faculdade de Medicina de Katmandu.

Por toda a capital e arredores famílias exaustas colocaram colchões diante das casas, nas ruas, e ergueram barracas para se abrigar da chuva. As pessoas fazem fila para conseguir água distribuída por caminhões, enquanto as poucas lojas ainda abertas quase não tinham mais nada em suas prateleiras.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para as Crianças (Unicef), quase um milhão de crianças foram "gravemente afetadas" pelo terremoto.

O Unicef disse que seus trabalhadores estão preocupados com doenças infecciosas e transmitidas pela água.

"O que nós sabemos neste momento é que há quase um milhão de crianças que foram seriamente afetadas. Nossa maior preocupação com eles agora será o acesso a água limpa e higiene, nós sabemos que a água e a comida estão acabando", disse Christopher Tidey, do Unicef, por telefone.

Foi o pior tremor no Nepal desde 1934, quando 8.500 pessoas morreram.

De acordo com o Itamaraty, o número exato de brasileiros nas regiões atingidas é desconhecido. Até este domingo (26), foram localizados 54 brasileiros no país. Eles estão bem e não precisam de atendimento médico. Não há registro de brasileiros entre os mortos.

Como ajudar?

Comovidos pela tragédia no Nepal, um grupo de brasileiros decidiu criar uma página no Facebook para ajudar as vítimas do terremoto de magnitude 7,8. O objetivo é ajudar a localizar brasileiros considerados desaparecidos, divulgar campanhas de doação e trocar informações sobre a situação no país.

Veja, abaixo, uma lista de sites que recebem doações para auxiliar os nepaleses:

Live to Love

Save the Children

Care

Unicef

Ammado

Galeria de Fotos Terremoto no Nepal Veja Fotos

(Com informações das agências de notícias.)