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27/04/2015 22:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Carlos Sampaio (PSDB-SP) dá cartada em Aécio para agilizar pedido de impeachment

Montagem/Estadão Conteúdo

Em meio a um racha no partido, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) se encontra nesta terça-feira (28) com o presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), para bater o martelo sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A intenção é formalizar o requerimento na quarta-feira (29).

Feroz defensor do impedimento da petista, Sampaio tem garantido que não há mais o que esperar. Por outro lado, caciques tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e o próprio Aécio tem amenizado a questão. FHC já disse, por exemplo, que não há fato concreto.

Já Aécio defende que, se tiver embasamento jurídico, não há o que temer. Ele tem reforçado que a posição do partido será tomada com cautela e responsabilidade. O partido aguarda um parecer do jurista Miguel Reale Júnior, que poderá dar solidez ao pedido.

Sampaio tentará convencer Aécio com o argumento de que não dá mais para esperar e usará as “pedaladas fiscais” para mostrar que a presidente cometeu crime de responsabilidade fiscal. Ele também tenta incluir no pacote a suposta participação da presidente no esquema de corrupção na Petrobras.

"O que vou dizer ao Aécio é que na visão da bancada não tem mais o que aguardar. A Câmara é quem decide sobre a abertura do impeachment, então o protagonismo tem que ser da bancada da Câmara. Ela tem que tomar uma decisão e a decisão já foi tomada: o impeachment é cabível e não temos que aguardar mais nenhum parecer", afirmou, segundo o Valor.

Aliados da presidente desmontam o argumento com a justificativa de que ela não pode ser responsabilizada por algo que outros presidentes também fizeram. Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a presidente pode, no máximo, ser impedida de fazer manobras com recursos dos bancos públicos, como ela fez, no futuro.

Integrantes do PSDB acreditam que eles podem capitalizar os rescaldos das manifestações que exigiram uma posição mais firme da oposição.

Nas mãos de Cunha

Apesar de toda movimentação da oposição, a adesão de mais deputados no pedido é essencial para a tramitação do processo. O principal apoio que os tucanos precisam é do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É ele quem decide dar encaminhamento ao pedido e já disse ser contra.

Com a possibilidade real de o partido ingressar com o processo, Cunha disse que se o partido conseguir levar o pedido para que o plenário decida, “ótimo”.

"Já dei minha opinião sobre o assunto. A partir de agora, como vai vir um caso concreto, não vou ficar mais dando opinião. Vou receber o caso concreto. Se vier com pareceres, vamos estudar os pareceres, vamos dar os pareceres e vamos decidir à luz da argumentação, que é a argumentação correta".

Segundo Cunha, se, após a decisão, o tucano quiser recorrer, é um direito dele. "O recurso para ir ao plenário, demanda ter urgência, ter apoiamento, maioria (mais de 257 assinaturas de parlamentares)."

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