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26/04/2015 04:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Disputa entre PMDB da Câmara e do Senado revela luta por cargos dentro do partido

Montagem/Estadão Conteúdo

Eles podem até se unir quando há um alvo em comum, mas geralmente o conflito é constante. Assim são os grupos do PMDB na Câmara e no Senado. Embora digam que não querem cargos e se unam para tentar “diminuir” o número de ministérios, eles batalham por uma participação, no mínimo, igual — de deputados e senadores peemedebistas — dentro do governo.

A mal resolvida reforma ministerial que preparou o governo para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff só veio mostrar as ranhuras agora, com a votação do PL 4330, da terceirização. Enquanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acelerou a votação e foi o principal fiador de acordos para garantir a ampliação irrestrita da terceirização, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) sinalizou que não votará a proposta a toque de caixa.

A troca de farpas tomou conta dos trabalhos no Congresso na última semana. Cunha chegou a dizer que, já que o Senado não daria prioridade, ele poderia fazer o mesmo com as matérias vindas do Senado. Na sexta-feira, Renan divulgou uma nota pública, na qual disse que não iria “polemizar” com Cunha.

A relação entre os dois azedou com a indicação do ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para o Ministério do Turismo. Até a nomeação de Henrique, Vinicius Lages, apadrinhado de Renan chefiava a pasta.

Reforma ministerial

Com a reforma ministerial, o PMDB passou a ocupar seis ministérios. Pela divisão dos peemedebistas, o ideal era que cada Casa indicasse três. Sem definição de um interlocutor único para negociar com o Planalto, os peemedebistas se estranharam e cada um foi atrás do seu.

No fim das contas, eles consideraram que a ministra da Agicultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), não representava o Senado, mas uma escolha da presidente. Helder Barbalho, da Pesca, e Eduardo Braga, de Minas e Energia, também entraram na cota do Senado. Nessa divisão, Renan não pode indicar ninguém, mas havia ficado satisfeito com a permanência de Vinicius Lages no Turismo.

Nessa divisão, foram considerados nomes da Câmara, os dos ministros da Aviação Civil, Eliseu Padilha, e dos Portos, Edinho Araújo. Nos dois casos, havia o aval do vice-presidente, Michel Temer. Para a Câmara ficou ainda prometida a indicação de Henrique Alves, caso seu nome não estivesse na lista da Lava Jato.

Com Temer na articulação política, uma das decisões para acalmar a rebeldia de Cunha foi colocar Henrique Alves, braço direito do atual presidente da Câmara, na Esplanada.

Oportunidade

Além de poder descontar a insatisfação com a demissão de Lages, Renan também vê no projeto da terceirização um trampolim para refazer sua imagem com a opinião pública.

"Terceirizar a atividade fim, liberar geral, significa revogar a CLT, precarizar as relações de trabalho e importa numa involução para os trabalhadores brasileiros. Um inequívoco retrocesso.”

A declaração dele tem sido interpretada como um aceno aos movimentos sociais.