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24/04/2015 15:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Taxas de juros recordes: Pagamento do valor mínimo da fatura do cartão de crédito pode quase dobrar a dívida

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Os juros ao consumidor voltaram a aumentar em março deste ano, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Banco Central. A taxa média de juros com recursos livres (que podem ser aplicados pelos bancos) ficou em 54,4% ao ano, superando a taxa de fevereiro, de 54,3% ao ano, que até então tinha sido a maior da série histórica do BC, iniciada em março de 2011.

Grande parte da elevação se deve ao juro do crédito rotativo do cartão de crédito, ou seja, quando você escolhe quanto quer pagar, a partir do valor mínimo, e o saldo restante é automaticamente financiado. Os juros para este tipo de financiamento atingiram 345,8% ao ano, ou 13,26% ao mês, valor máximo já registrado pelo BC.

Muito utilizado pelos brasileiros, o rotativo é um tipo de empréstimo automático, ou seja, o consumidor não precisa assinar contrato nem conversar com o gerente do banco para ter acesso a esse valor. Mas tanta facilidade tem um preço - e ele é bem alto.

Na ponta do lápis, o consumidor pode pagar quase o dobro da dívida inicial, ao utilizar o rotativo. Tomamos este exemplo:

Se você tem uma fatura de R$ 2.000 e decide pagar o valor mínimo de R$ 300 por mês (que normalmente é 15% da dívida) até quitar a fatura, você pagará um total de R$ R$ 3.657,91, sendo R$ 1.657,91 APENAS de juros, em 12,2 parcelas.

Mas o rotativo está longe de ser o único crédito careiro da praça. O cheque especial, cuja taxa média anual chegou a 220,35% ao ano, maior valor em 19 anos. Por mês, o consumidor pagará 10,19% de juros.

Na ponta do lápis, se utilizar o cheque especial para uma dívida de R$ 2.000, você pagará só de juros nada menos do que R$ 964,71, o que totaliza R$ 2.964,71 - quase 50% do valor da dívida inicial.

Os juros do cartão de crédito também subiram em março. A taxa global ficou em 79,1% ao ano no mês passado, a maior desde setembro de 2012. A análise engloba os juros para aquisições parceladas e para o crédito rotativo.

Para compras parceladas, a taxa caiu 0,6 ponto percentual em relação a fevereiro, e ficou em 111,5% ao ano, ou 6,44% ao mês.

Segundo o BC, o crédito mais barato para o consumidor ainda é o consignado, com uma taxa de 26,79% ao ano. Tomando o exemplo já citado, se o consumidor com dívida de R$ 2.000 optar pelo consignado, ele vai pagar R$ 122,28 de juros.

O que fazer?

Por isso, se você for contrair uma dívida, é importante pesquisar todas as possibilidades de crédito que o mercado oferece. Para quem já está endividado com o rotativo, uma dica é substituir a dívida do cartão por outra com juros mais baixos. Isso é, peça um empréstimo e, com o dinheiro, quite o crédito rotativo, ficando apenas com o financiamento de taxa menor. Qualquer opção que o consumidor tiver no banco será melhor do que o rotativo do cartão.

Além disso, vale reestruturar as finanças para não acabar novamente caindo no vermelho no próximo mês. O Banco Central oferece a Calculadora do Cidadão, plataforma onde é possível comparar e simular taxas de juros de diferentes empréstimos.