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24/04/2015 14:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Presidente armênio afirma que genocídio ocorrido há 100 anos foi planejado

AP Photo

O presidente da Armênia, Serge Sarkissian, afirmou hoje (24) que o massacre de 1,5 milhão de armênios há cem anos foi um genocídio planejado e que negá-lo é uma derrota da consciência humana.

“Os armênios foram deportados e aniquilados segundo um plano estatal, com a participação direta do Exército, da polícia e de outras instituições e grupos criminosos libertados especificamente para esse fim pelos turcos otomanos", disse Sarkissian.

“A 24 de abril de 1915 teve início um dos crimes mais graves do século 20”, disse o presidente armênio na sua intervenção em Tsitsernakaberd, um memorial dedicado aos que morreram. O memorial é o centro das cerimônias que lembram o centenário.

Sarkissian advertiu também para o perigo de negar os crimes contra a humanidade, numa alusão à Turquia, que recusa reconhecer este episódio histórico como um genocídio.

“O reconhecimento do genocídio não é um tributo mundial ao povo armênio e aos seus mártires. É o triunfo da consciência humana e da justiça sobre a intolerância e o ódio.”

Vários dirigentes mundiais participaram da cerimônia, entre os quais os presidentes francês, François Hollande, e russo, Vladimir Putin.

Depois de colocar uma flor no memorial às vítimas, François Hollande apelou à Turquia para reconhecer os massacres de 1915-1917 como genocídio. “Curvo-me perante a memória das vítimas e venho dizer aos meus amigos armênios que nunca esqueceremos as tragédias que o seu povo sofreu”, disse Hollande.

Vladimir Putin afirmou que “nada pode justificar massacres em massa” e que o povo russo está ao lado dos armênios: “Choramos ao lado do povo armênio”.

Depois da cerimônia oficial, centenas de milhares de armênios são esperados para uma procissão no memorial do genocídio, o local mais visitado do país, onde vão depositar velas e flores.

Genocídio?

A Armênia sustenta que 1,5 milhão de armênios foram mortos de forma sistemática entre 1915 e 1917 nos últimos anos do Império Otomano. Cerca de 20 países, entre os quais a França e a Rússia, reconhecem ter-se tratado de um genocídio.

A Alemanha reconheceu ontem (23) pela primeira vez o genocídio armênio. O presidente, Joachim Gauck, admitiu a “corresponsabilidade” de Berlim no crime, enquanto aliado dos otomanos na Primeira Guerra Mundial.

Um dia antes, a Áustria, também aliada do Império Otomano, observou, pela primeira vez, um minuto de silêncio para lembrar o genocídio.

A Turquia recusa o termo e defende ter-se tratado de uma guerra civil na Anatólia, agravada pela fome, na qual morreram entre 300 mil e 500 mil armênios.