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23/04/2015 19:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:54 -02

Presidente da Setal Engenharia diz que pagou propina e que empresários são 'vítimas'

Montagem/Agência Câmara/Estadão Conteúdo

O presidente da Setal Engenharia e Executivo da Toyo Setal Empreendimetos, Augusto Mendonça Neto, detalhou o funcionamento do esquema de corrupção na Petrobras.

Em depoimento à CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados, ele confirmou que pagou propina, disse que foi orientado a procurar o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e afirmou que pagou R$ 2,5 milhõesà Gráfica Atitude, de sindicatos ligados à CUT.

Segundo Mendonça, as empresas passaram a se reunir e discutir sobre os contratos a partir de 2003, com a regularização de pagamentos ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e ao ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. De acordo com ele, o dinheiro era para que os ex-diretores não atrapalhassem a contratação das empresas.

Aos deputados, Mendonça relatou que só o consórcio formado pela Setal, MPE Engenharia e a Mendes Júnior pagou em torno de R$ 110 milhões em propina aos dois diretores. De acordo com o executivo, a propina paga a diretores da estatal saía da margem de lucro das empresas e não de superfaturamento das obras.

Ele também disse que foi induzido ao esquema pelo ex-deputado José Janene (PP-PR), que se apresentou como representante de Costa. E os pagamentos, segundo ele, eram feitos por intermédio do doleiro Alberto Youssef.

Doações

O empresário relatou que teve cerca de dez encontros do Vaccari e que o ex-tesoureiro o orientou sobre como fazer doações ao partido como parte do pagamento de propina.

Segundo ele, Janene se colocou como responsável pela indicação de Costa e disse que se a contribuição não fosse feita, a empresa seria duramente penalizada. “A partir daí, me reuni com as empresas do consórcio e decidimos colaborar.”

Vitimização

O empresário fez questão de ressaltar que só conseguiu os contratos porque se rendeu ao esquema.

“O empresário, nessa situação, é vítima.”

Mendonça reduziu os problemas da Petrobras apenas as ações de Costa e Duque.

“A Petrobras está nessa situação lamentável hoje não por falha da empresa, mas por ação desses dois diretores."

(Com informações da Agência Câmara)