COMPORTAMENTO
22/04/2015 21:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Brasileiro leu menos e foi mais ao teatro em 2014, afirma pesquisa

Antonio Diaz/iStock

As tecnologias estão afetando vários segmentos da nossa sociedade, inclusive a forma como nos relacionamos com a cultura. Em 2014, o brasileiro leu menos, foi menos ao cinema e a shows musicais do que em 2013. Por outro lado, aumentou a quantidade de pessoas que vão ao teatro e à shows de dança.

Os dados fazem parte de pesquisa feita pela Fecomercio RJ, com 1.000 entrevistados de 70 cidades.

Segundo Christian Travassos, gerente de economia da federação, esse movimento está ligado ao acesso à internet. Ele afirma que "a leitura é um hábito majoritariamente caseiro e outras pesquisas mostram que o brasileiro está cada vez mais conectado. Isso interfere em outras atividades". Por outro lado, "a popularização de conteúdos como comédias Stand Ups e similares via Web, ao contrário do que muitos imaginavam, acabou por incentivar a ida das pessoas ao teatro", avalia.

A pesquisa mostrou que, no ano passado, 29,9% das pessoas leram no mínimo um livro, contra 35,3% em 2013. Pode parecer que a quantidade de leitores será cada vez menor, mas, para Travassos, essa possibilidade é pouco provável. "Existe um público fiel da leitura, que varia entre 30 e 35%. Entendemos que não haverá recuo significativo olhando mais adiante".

Enquanto o hábito de ir a shows caiu 2,2 pontos percentuais de um ano para o outro, a frequencia ao cinema se estabilizou em 1,6%. Contudo, nos último cinco anos dobrou o público que diz ir ao teatro, passando de 5,7% em 2009 para 11,4% no ano passado.

Além disso, o trabalho com cultura realizado nas escolas, levando alunos a peças teatrais, cinema e apresentações de dança, "é visivelmente mais presente do que no passado", o que deve ampliar a quantidade de pessoas consumindo esse tipo de atração. Ainda assim, "são iniciativas que levam tempo para frutificar", avalia Travassos.

Para além desses exemplos, o gerente da Fecomercio RJ diz acreditar que o resultado da pesquisa confirma o senso comum de que as pessoas gastam menos com lazer quando a economia não vai bem, apesar do preço não ser o fator mais citado.

Entre as principais razões apontadas pelos entrevistados para não praticar uma atividade cultural, estão a falta de hábito ou gosto por esse tipo de programa, que, juntos, respondem por 76% das citações. Essas são as principais razões desde a primeira edição da pesquisa, em 2007.

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