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21/04/2015 09:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Mesmo com economia em crise, estas empresas apostaram em 2015 e lucraram como nunca nos primeiros meses

Divulgação

Inflação em níveis preocupantes, real desvalorizado diante do dólar e euro, nível de desemprego subindo a cada mês, comércio registrando queda recorde nas vendas. Não à toa, a confiança dos empresários não anda nada boa.

O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) caiu 37,5 pontos em março, a menor taxa desde janeiro de 1999, quando a pesquisa foi criada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Já o IC-PMN (Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios) mostrou que a confiança dos pequenos empresários para o segundo trimestre de 2015 teve um recuo de 2%. O índice caiu para 57,7 pontos e se aproximou da taxa durante acrise global de 2008.

A falta de confiança tem impacto direto nos investimos e na contratação da mão de obra. O raciocínio é simples: com incertezas na economia, é melhor optar por cautela e não investir dinheiro em novas máquinas, tecnologia e no quadro de funcionários.

Mas, na contramão do pessimismo que assombra a maior parte dos empresários e investidores, há quem prefira apostar nos tempos difíceis para crescer no mercado — e esteja colhendo frutos já nos primeiros meses deste ano.

Crise? Pra quem?

No final do ano passado, quando a crise econômica já estava dando os primeiros sinais, o e-commerce de informática e eletrônicos KaBuM! deu início a um processo de reestruturação de seus sistemas e portfólio. "Tivemos um aumento muito grande no portfólio, em todas as categorias, e melhorias significativas no sistema", conta o co-fundador do KaBuM!, Leandro Ramos.

O site também investiu em logística e, principalmente, no atendimento ao cliente. "Isso faz com que 50% do nosso faturamento seja recorrente, o que demonstra um alto índice de fidelização dos clientes e nos permite um crescimento sólido e contínuo."

A empresa obteve, de janeiro a março, um faturamento 64% superior ao mesmo período do ano passado. "Só não chegou a 100% por causa da alta do dólar, que acabou encarecendo nossos produtos", disse Leandro.

Centro de Distribuição do KaBuM!

Além da alta no faturamento no primeiro trimestre, o executivo prevê crescimento no site durante todo o ano. Para 2015, a expectativa é atingir um crescimento anualizado de 75% a 90%, no comparativo a 2014, e aumentar em torno de 2,5 a 3 pontos percentuais a margem EBITDA (que significa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), hoje em cerca de 10%.

“Atingimos um resultado extremamente positivo no trimestre mais fraco do ano e isso nos motiva ainda mais a buscarmos números melhores e maiores."

Criado em 2003, o Grupo KaBuM! ainda vai lançar duas novas lojas virtuais este ano. "O objetivo é liderar o varejo on-line", resume Leandro.

O dólar subiu? Que bom!

Enquanto companhias aéreas e sites com produtos estrangeiros se desesperam com a volatilidade do dólar desde o começo do ano, alimentado pelas incertezas políticas e econômicas no País, há empresas que estão se beneficiando das altas galopantes da moeda norte-americana.

Esse foi o caso da Tricae, maior loja on-line de artigos infantis no Brasil. Nos primeiros três meses deste ano, a empresa fundada em 2011 teve uma expansão de 96% em seu faturamento, ante o mesmo período do ano anterior - crescimento que surpreendeu até mesmo a CEO, Juliana Duarte.

"O crescimento superou nossas expectativas, especialmente porque foi um trimestre difícil pro mercado em geral", contou, ressaltando que a alta do dólar fez com que muitos consumidores virtuais (que sempre compravam de sites gringos ou traziam de viagens ao exterior) se voltassem aos produtos nacionais.

Centro de Distribuição da Tricae, em Jundiaí (SP)

Mas, segundo a executiva, a alta do dólar foi apenas um empurrãozinho. Para não registrar queda nas vendas, a empresa apostou em grandes ofertas.

"Nós estamos constantemente aumentando nossos estoques para atender a demanda dos clientes, que vem crescendo mês a mês. Temos feito também investimento em produtos que as pessoas antes buscavam no exterior mas que hoje conseguimos oferecer a um preço bastante competitivo."

Segundo Juliana, o segredo pra crescer em um momento de crise é manter os custos controlados. "Isso permite investir em marketing e estoque em um momento em que os competidores estão retraindo e, com isso, ganhar participação de mercado."

Investir também foi a palavra de ordem no marketplace de produtos criativos Elo7. Após receber aporte de US$ 11 milhões dos atuais investidores Insight Partners, Accel Partners e a brasileira Monashees Capital, a empresa decidiu que 2015 seria o seu ano. O resultado? Um crescimento de 127%.

Para alcançar tais números, a empresa manteve as melhorias na plataforma, além de ter lançado no primeiro trimestre o app do Elo7 e a plataforma na Argentina. “Entendemos que a alta do dólar pode incentivar o consumo local porque aumenta a competitividade de preço de nossos vendedores frente aos produtos importados”, explica o CEO do Elo7, Carlos Curioni.

"Nossa expectativa era de dobrar as vendas, e passamos um pouco disso."

Nada mal para quem previa um ano de "vacas magras", não?