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20/04/2015 12:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Brasil registrou o maior número de morte de ativistas em 2014, diz ONG internacional (ESTUDO)

Montagem/Estadão Conteúdo

Vinte e nove ativistas ambientais morreram no Brasil no ano passado, colocando o País no topo da lista divulgada nesta segunda-feira (21) pela ONG internacional Global Witness. Entre 2002 e 2014, 477 mortes ligadas ao ativismo foram registradas em terras brasileiras, um número assustador.

No ano passado, 116 mortes de ativistas foram registradas em 17 países. Atrás do Brasil aparecem países como Colômbia, com 25 mortes, Filipinas, com 15 mortes, e Honduras, com 12 mortes. Globalmente, mortes de ativistas ambientais alcançaram uma média de mais de duas por semana em 2014, crescimento de 20% frente ao ano anterior, segundo o relatório.

Levando em conta a taxa per capita, o pior desempenho foi de Honduras. Entre 2010 e 2014, 101 ativistas foram assassinatos no país da América Central, a maior taxa de qualquer país analisado pela ONG. Ainda assim, no número total, o pior desempenho agregado foi da América Latina.

“Historicamente, tem havido uma distribuição de terra desigual na América Latina, o que tem causado conflitos entre companhias locais e estrangeiras e comunidades, disse Billy Kyte, da Global Witness, à Thomson Reuters Foundation”. “Governos na América Latina não estão tratando esse problema com seriedade. Níveis de impunidade são muito altos e os perpetradores ficam livres”, emendou.

Os assassinados de ativistas se deram, em sua maioria, durante a defesa de direitos à terra e do meio ambiente frente a projetos de mineração, de barragens e extração de madeira.

O relatório aponta ainda que 40% dos defensores ambientais mortos no ano passado eram indígenas pegos na linha de frente ao tentar defender a terra e fontes de água diante da ação de companhias. “Muitos grupos indígenas carecem de títulos claros para suas terras e sofrem desapropriações por parte de interesses de poderosas empresas”, diz o relatório.

O ativista hondurenho Martin Fernandez disse ter sido forçado a fugir para o Brasil por três meses em 2012, após ter recebido ameaças de morte por telefone e ter sido perseguido por carros com janelas escuras perto de sua casa e de seu trabalho.

“Vivemos em medo, medo constante de ataque. Eu e muitos colegas tivemos que viver no exílio”, disse Fernandez à Thomson Reuters Foundation. Ele lidera o Movimento para Dignidade e Justiça, um grupo hondurenho de direitos à terra.

Em seu relatório, a Global Witness disse que o governo hondurenho esperava atrair US$ 4 bilhões em investimento em mineração e recentemente liberou 250 mil hectares de terra para novos projetos. Com uma das maiores taxas de assassinato do mundo, Honduras luta para conter a violência de grupos envolvidos com drogas e o crime organizado.