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19/04/2015 11:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Promotora diz que Verônica Bolina negou tortura após promessa de diminuição de pena; idosa agredida pede Justiça

Montagem/Reprodução Facebook

A travesti Verônica Bolina, de 25 anos, presa no último dia 10 após tentar matar uma mulher de 73 anos, disse ter negado as agressões sofridas no 2º Distrito Policial do Bom Retiro após uma ‘promessa’ de redução de pena. A declaração foi prestada na última sexta-feira (17) a promotores do Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), do Ministério Público de São Paulo, que investigam o caso.

“Ela (Verônica) disse que a gravação não corresponde à verdade dos fatos. Quando perguntamos por que teria gravado o áudio, ela disse que prometeram auxiliá-la com uma diminuição de pena”, disse ao IG a promotora pública do Gecep, Luciana Frugiuele.

Duas gravações foram colhidas na prisão pela coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Heloísa Alves, nas quais Verônica negava ter sido agredida e torturada por policiais.

“Não fui torturada pela polícia. Eu simplesmente agi de uma maneira que achava que estava possuída, agredi os policiais, eles só agiram com o trabalho deles”, comenta a travesti em um dos áudios “Eles tiveram que usar as leis deles para me conter. Não teve, de nenhuma forma, tortura. Só fui contida, não fui torturada”, emendou Verônica.

Ao G1, a mãe da travesti, Marli Ferreira Alves, já havia negado a versão da Secretaria da Segurança Pública (SSP), segundo a qual Verônica teria sido espancada por outros presos após se masturbar na frente deles. Um carcereiro que teria tentado ajudá-la teve parte da orelha arrancada pela travesti. Marli afirmou que foram policiais quem bateram nela.

“Não teve aquela história de preso bater e se masturbou na cadeia. Não teve nada disso. Pensa bem: ela está com a cabeça do jeito que ela está. Você acha que ela ia se masturbar na prisão? Graças a Deus que vazou tudo isso (fotos de Verônica) na internet. Porque se não tivesse vazado, talvez ela estaria morta agora”, comentou a mãe da travesti.

O caso repercutiu nas redes sociais com a hashtag #SomosTodosVerônica e gerou a revolta dos movimentos sociais e de outros órgãos. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania divulgou nota em que diz ter sido informada por Verônica que sofreu “agressões em vários momentos por parte de policiais militares e de 'preto', fazendo referência aos agentes do Grupo Operações Estratégicas (GOE)”.

Nota pública do Centro de Cidadania LGBT, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, sobre o caso Veronica Bolina.

Posted by Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo on Quinta, 16 de abril de 2015

O secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, também pediu uma apuração rigorosa do caso.

É da maior importância que a Corregedoria da Polícia Civil e também da PM realize rigorosa apuração do caso de Verônica...

Posted by Eduardo Suplicy on Sábado, 18 de abril de 2015

Idosa agredida por Verônica ainda se recupera de agressões

Em entrevista ao R7, a idosa Laura P., de 73 anos, falou sobre os momentos de medo que viveu com Verônica Bolina. Foi ela a vítima da travesti no último dia 10. Segundo a reportagem, “marcas de sangue ainda mancham as paredes do andar onde ela mora”. De acordo com a idosa, que ainda está muito machucada, Verônica invadiu o apartamento em mais de uma oportunidade naquele dia.

“Eu estava sentada trabalhando quando ele bateu na porta. Ela disse 'você é o Satanás e vou te matar'. Depois começou a me dar socos (...). Eu nunca tive problema nenhum com a Verônica, pelo contrário, todas as vezes que nos víamos pelo corredor nos cumprimentávamos. Eu nunca reclamei de barulho e nunca briguei. Ele simplesmente invadiu a minha casa e quase me matou”, disse Laura.

A vítima das agressões de Verônica quer Justiça para o caso, assim como o filho dela, que reclamou da campanha que está sendo feita em favor da travesti.

“Estamos revoltados porque estão querendo transformar a Verônica em uma heroína. Ela teve a dignidade tirada por estar no chão com os seios à mostra. Mas e minha mãe? Eu quero justiça pelo que ele fez, independente se ele é travesti ou se fosse homem, ou uma mulher. Outra travesti salvou a vida da minha mãe e devo toda gratidão do mundo”, afirmou.

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