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19/04/2015 08:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

50 anos da Lei de Moore: Entenda como um engenheiro conseguiu prever o futuro da tecnologia

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Há meio século, o engenheiro Gordon Moore, co-fundador da Intel, realizou uma previsão: ele disse que a potência dos computadores aumentaria de forma exponencial, enquanto o custo de produção diminuiria na mesma ordem.

A Lei de Moore diz que o número de transistores que cabe em um chip deve dobrar a cada 18 meses, mantendo o mesmo custo.

Isso quer dizer que, a cada um ano e meio, a capacidade de processamento bruto de um computador deve aumentar em 100%, mantendo o tamanho e o custo.

Quem nunca teve um celular tijolão? Segundo cálculos da própria Intel, se no início da década de 70 existisse um telefone capaz de rodar o sistema operacional Android, só o processador do celular ocuparia a vaga de um carro. Tente tirar um selfie com isso.

É preciso observar que a Lei de Moore não é exatamente uma "lei". Não dá para saber se Moore previu o futuro, ou se aquele futuro incipiente é que correu para se adaptar à sua previsão. O fato é que, desde 1965, a Lei de Moore tem ditado o ritmo da tecnologia com a precisão de um metrônomo.

"O que ele propôs tinha fundamento, partiu da observação de que havia um caminho. E também a indústria entendeu que isso era uma oportunidade para aumentar a competitividade e a lucratividade", disse Reynaldo Affonso, diretor de desenvolvimento tecnológico da América Latina da Intel, em entrevista ao Brasil Post.

Porém, estamos chegando perto de um ponto em que a Lei de Moore deverá quebrar, como acontece com quase toda previsão exponencial.

Por dois motivos: primeiro, porque já não há tanta demanda por processamento que compense em larga margem o custo de construção de uma fábrica de transistores -- que não sai por menos de US$ 10 bilhões.

O processamento necessário para realizarmos a maior parte de nossas atividades de consumidor parece ter atingido um platô -- prova disso é que as vendas de computadores têm perdido muito território para os tablets.

Segundo, porque há uma barreira física. Os primeiros transistores tinham o tamanho de uma borracha, que fica na ponta de um lápis. Hoje, eles são invisíveis a olho nu. Um microchip ampliado até que seja possível enxergar os transistores ficaria do tamanho de uma casa. Segundo cálculos a Intel, só no ponto final desta frase, caberiam seis milhões de transistores.

Para seguir acompanhando a Lei de Moore, a indústria teria de construir um computador capaz de processar a capacidade de todos os cérebros humanos juntos, como lembra o Washington Post.

Isso demandaria muita, mas muita energia. "Este com certeza é um dos maiores dilemas. Se você pensar em um grande data center, o consumo é equivalente ao de uma cidade de pequeno porte", comenta Reinaldo.

O próprio Moore diagnosticou a caduquice iminente de sua lei. "Em termos de tamanho, podemos observar que estamos chegando no tamanho dos átomos, que são uma barreira fundamental. Mas teremos dez ou vinte anos antes disso", disse Moore em 2010.

Existem, porém, computadores diferentes, que não funcionam à base de transistores. São os computadores quânticos cujos exemplares hoje se reduzem a três, no mundo inteiro. Eles podem, para algumas tarefas, ultrapassar a barreira física dos transistores.

"O que temos observado é que muitas vezes você enxerga uma parede na sua frente. Você imagina que existe um limite para esta tecnologia. Já tivemos várias paredes ao longo de 50 anos, e todas elas foram derrubadas. Se descobriam novidades, adicionavam-se novos materiais, e você atravessava aquela parede e abria um horizonte de mais 10, 15 anos", comenta Reinaldo.

Veremos.