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19/04/2015 09:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

1ª edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas terá mais de 2.000 atletas de 30 países

Povos nativos de 30 países irão se reunir em Palmas, capital do Tocantins, para participar da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. A competição acontecerá daqui a aproximadamente 150 dias, e os atletas já começam a se preparar para a disputa.

O evento terá demonstrações de jogos tradicionais de cada região, jogos nativos de integração, como arco e flecha e cabo de força, além de modalidades ocidentais tradicionais como o futebol.

A expectativa é receber 2.000 atletas indígenas e um público de 100 mil pessoas. Apenas do Brasil, devem comparecer 24 etnias diferentes.

Do exterior, haverá participantes da Noruega, Austrália, Japão, Filipinas, Canadá, EUA, México, Guatemala, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Chile, Argentina, Paraguai e Guiana Francesa, entre outros.

Ao todo serão 13 dias de programação, sendo que os três primeiros dias terão atividades de integração com os povos visitantes.

O projeto foi idealizado pelo Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, com a liderança dos irmãos Marcos e Carlos Terena e realizado pela Prefeitura de Palmas, que está construindo a infraestrutura, em parceria com o Ministério do Esporte e o Governo do Tocantins.

A ideia inicial surgiu em 1996, com a primeira edição dos Jogos dos Povos Indígenas do Brasil, que aconteceu em Goiânia. Em 2015, a ideia é pegar carona nas Olimpíadas, valorizando e dando visibilidade à cultura nativa.

Segundo Marcos Terena, que está buscando apoio também na Organização das Nações Unidas (ONU), "os jogos são uma celebração da vida. Quando o índio participa de uma competição esportiva, ele mostra que pode garantir que tem uma vida saudável dentro da terra demarcada e reivindicar qualidade de vida para os povos indígenas".

Questionado se haverá alguma ação política relacionada à demarcação de terras indígenas no Brasil, em especial sobre a PEC 215, que dá ao congresso a decisão final sobre esta questão, Terena afirmou que há muitas questões pelas quais o movimento indígena precisa lutar, e os jogos servem como forma de valorizar a cultura tradicional.

"Eu que sou criado no movimento indígena do País, tenho uma experiência de demarcação no governo militar, do Sarney, do Collor. [A questão da PEC 215] é uma pauta da caminhada indígena, mas não pode ser a única que precisamos lutar contra. Também precisamos lutar pela indicação de índios para a Funai, debater a política indigenista do País, temos que debater dentro do judiciário, que atua contra interesses dos povos indígenas, especialmente no âmbito local", disse Terena.

Os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas acontecem entre 18 e 27 de setembro, na cidade de Palmas, capital do Tocantins.

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