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17/04/2015 20:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Após prisão de ex-tesoureiro, PT fecha acordo para abrir mão de doações empresariais

Estadão Conteúdo

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, confirmou nesta sexta-feira (17) na sede do diretório nacional do partido em São Paulo, que houve um acordo a ser referendado no 5º Congresso para que a legenda abra mão voluntariamente das doações empresariais. Quando os jornalistas pediram para detalhar a medida, Falcão leu o documento que foi produzido na reunião e repetiu que o PT "não mais receberá" doações de empresas privadas.

A decisão foi tomada após João Vaccari Neto, então tesoureiro do partido, ter sido preso na Operação Lava Jato. As investigações da Polícia Federal indicam que Vaccari operava um esquema de recebimento de propina de contratos da Petrobras em forma de doações legais para a legenda.

"Decidimos que os diretórios nacional, estaduais e municipais, não mais receberão doações de empresas privadas, devendo essa decisão ser detalhada, regulamentada e referendada pelos delegados (as) ao 5º Congresso", diz o texto lido pelo presidente do PT.

Um documento escrito por Falcão e que serviu de base para a resolução divulgada há pouco trazia o termo "imediatamente" quando tratava do fim das doações empresariais ao partido. O termo não consta na versão final aprovada pelo diretório. Falcão se preocupou em ressaltar que a decisão não significa que as contribuições recebidas pelo partido até agora "tenham alguma mácula". O presidente petista disse que o partido vai estudar mecanismos para estimular contribuições de pessoas físicas entre R$ 15 e R$ 1 mil.

Falcão disse que houve consenso em torno do nome do novo tesoureiro da legenda, Márcio Macedo, que foi anunciado hoje como o substituto do ex-tesoureiro João Vaccari Neto.

Falcão negou que Macedo seja um "tampão" e disse que o petista, que só entrou no diretório nacional graças a uma substituição para que ele assumisse a tesouraria, é "tesoureiro pleno". O presidente nacional do PT disse ainda que muitos que teriam condições de assumir a Secretaria de Finanças do PT abdicaram de suas indicações.

Missão

Falcão chamou de "espinhosa" a missão assumida pelo novo tesoureiro do partido. Falcão disse que a coragem para enfrentar desafios é mais uma qualidade do ex-deputado federal por Sergipe, que "está disposto a encarar essa tarefa".