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16/04/2015 11:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Mãe de Eduardo de Jesus, morto no Complexo do Alemão, diz que vai processar fundador do Afroreggae por post no Facebook

Montagem/Facebook e Estadão Conteúdo

Terezinha Maria de Jesus, mãe do meninoEduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, que foi morto durante um tiroteio entre policiais e traficantes no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, afirmou na noite desta quarta-feira (15) o fundador da ONG Afroreggae, José Júnior. O motivo é uma postagem feita por ele no Facebook, sugerindo que Eduardo “seria bandido”.

“Quero mandar um recado para o José Junior, que disse que meu filho é bandido. Bandido é ele. Meu filho estudava e participava de projetos da escola. Nunca se envolveu com o tráfico. Ele era muito bom. Bandido não estuda e não tira nota dez. Ele disse também que meu marido mexia com coisa errada, só que meu marido trabalhava com carteira assinada. Vou processá-lo por isso”, afirmou Terezinha.

Polêmica postagem foi apagada por José Júnior após repercussão negativa (Reprodução/Facebook)

As declarações da mãe de Eduardo foram feitas depois dela e do marido prestarem depoimento à Delegacia de Homicídios da Polícia Civil fluminense. Segundo informações do jornal O Dia, ela voltou a negar que tenha existido confronto entre PMs e criminosos no momento em que o menino foi assassinado. A mãe da vítima reforçou que consegue reconhecer o policial que matou o seu filho e que foi ameaçada pelo mesmo agente.

“O único tiro que saiu foi da polícia, que matou meu filho. Eu o agredi e ele disse que do mesmo jeito que matou meu filho me mataria”, comentou Terezinha, em declarações reproduzidas pelo G1.

A repercussão negativa da postagem pelo José Júnior apagar o post. No último domingo (12), ele negou ter dito que o menino era bandido e que tudo não passava de um ‘jogo sujo’.

É justamente este jogo sujo, a truculência, a falta de ética e a covardia que está nos levando às ruas para...

Posted by José Júnior on Domingo, 12 de abril de 2015

A família de Eduardo deve participar da reconstituição do crime, prevista para as 10h desta sexta-feira (17). De acordo com o advogado Fábio Amado, defensor público que auxilia a família, uma acareação entre os pais do menino e policiais não pode ser descartada, já que existem diversas contradições entre o que estão dizendo os PMs e os familiares de Eduardo.

Nesta semana, os policiais envolvidos na operação que matou Eduardo voltaram a prestar depoimento à Polícia Civil. Além da reconstituição da morte do menino, os investigadores pretendem ainda realizar outras duas reconstituições no Alemão: a da morte de Elizabeth Alves, de 41 anos, morta um dia antes, e do caso envolvendo o capitão da PM Uanderson Manoel da Silva, responsável pela UPP Nova Brasília e que foi morto em setembro de 2014.

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