MULHERES
16/04/2015 17:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Este quadrinho é a prova de que estamos combatendo o assédio em espaço público da forma errada

"E aí, gostosa?", "Tá de parabéns, hein?", "Ô lá em casa!", "Delícia de mulher!", "Te faço toda!", "Que tesão!".

Você é mulher e está andando na rua. Um estranho te olha, faz um comentário erótico sobre a sua aparência, ou sobre o que ele pensa sobre o seu corpo - e o que deseja fazer com ele, como se você tivesse pedido por isso. É desta forma que o assédio nas ruas acontece todos os dias e ameaça a liberdade das mulheres pelo mundo todo.

Com mais de 30 países envolvidos, a organização Stop Street Harassment criou a Semana Internacional de Combate ao Assédio Sexual em Locais Públicos. De 14 a 17 de abril, mais de 35 ONGs, incluindo o coletivo brasileiro Think Olgavão promover ações ao redor do mundo para combater o assédio e lutar pelo direito das mulheres de circular livremente pelo espaço público.

Nesta quinta-feira (16), a página do Facebook Brasileiríssimos publicou uma charge da artista Ina Emery, de 2012, que ilustra como a sociedade patriarcal ainda é um problema para a emancipação das mulheres e isso faz com que o combate ao assédio se dê da pior forma: reprimindo e condenando às mulheres.

Créditos na imagem.

Posted by Brasileiríssimos on Quarta, 15 de abril de 2015

Cerca de 98% das mulheres já foram assediadas nas ruas. Este dado foi divulgado pelo coletivo Think Olga em 2013, em uma pesquisa sobre assédio sofrido pelas mulheres em todos os âmbitos e situações, elaborada pela jornalista Karin Hueck, como parte da campanha Chega de Fiu Fiu. Cerca de 7.762 participaram e 99,6% delas afirmaram que já foram assediadas.

E mais: cerca de 81% disseram ter deixado de sair para algum lugar com medo de sofrer assédio e 90% trocaram de roupa pensando no lugar que iriam por receio de passar por esse tipo de situação. Você pode ver os resultados da pesquisa aqui.

Para tornar visível esse assédio e ajudar a desnaturalizar uma situação que, na prática, é uma violência e não algo "bonitinho", em parceria com a Defensoria Pública de São Paulo, o coletivo lançou uma cartilha de orientação para as mulheres que sofrem assédio. Ela está disponível aqui.

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