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15/04/2015 15:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Operações suspeitas: os indícios contra o tesoureiro do PT

Montagem/Agência Brasil

Preso nesta quarta-feira (15) na 12ª fase da Operação Lava Jato, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, tem uma lista de acusações para explicar.

Citado por cinco suspeitas de envolvimento com o escândalo de corrupção na Petrobras, Vaccari continuou no cargo e nega todas as denúncias.

Ele é suspeito de operar o esquema que transformava pagamento de propina em doações legais ao partido, aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Segundo a Polícia Federal, Vaccari foi preso porque poderia atrapalhar as investigações ou continuar no crime, já que continuava no cargo.

Saiba os elementos que comprometem o petista:

Citado por todos - Vaccari foi mencionado por pelo menos cinco suspeitos que fecharam acordo de delação premiada.

Operações financeiras - De acordo com a Polícia Federal, há várias irregularidades nas operações financeiras de familiares de Vaccari. Em três anos, foram feitos depósitos que totalizam R$ 300 mil. A PF ressalta que não há indicativo de crime, apenas suspeita de que estes valores tenham origem ilícita.

Casa própria supervalorizada - A cunhada de Vaccari também coloca o tesoureiro do PT na corda bamba. Ela comprou um apartamento por R$ 200 mil e o vendeu para a OAS, uma das investigadas na Operação Lava Jato, por R$ 400 mil. O mesmo imóvel foi vendido posteriormente por um valor menor. Para o Ministério Público Federal, a operação é típica de lavagem de dinheiro.

US$ 200 milhões em 10 anos - Na delação premiada, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco relatou que o PT teria recebido até US$ 200 milhões em 10 anos. Segundo ele, a propina é referente a cerca de 90 contratos da Petrobras.

1% de US$ 22 milhões - Segundo Barusco, entre os esquemas arquitetados por Vaccari está o que definiu os valores de contrato e propina na construção de sondas de perfuração com estaleiros firmados com a Sete Brasil. Do total dos contratos, avaliados em US$ 22 milhões, houve uma variação entre 1% e 0,9% do montante destinado ao pagamento da propina.

A gráfica e o partido - Em depoimento à Polícia Federal, o dirigente da SOG/Setal, Augusto Ribeiro, disse que algumas vezes foi orientado por Vaccari a contribuir com pagamentos para a Editora Gráfica Atitute, sediada em São Paulo, em vez de fazer faturar a propina como doação legal ao partido. A empresa pagou cerca de R$ 2,5 milhões à gráfica por anúncios que, segundo Ribeiro, não custariam mais de R$ 2 milhões. Levantamento do Ministério Público Federal indica ligações entre a Editora Gráfica Atitude e o Partido dos Trabalhadores, que podem explicar os pedidos de Vaccari.

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