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15/04/2015 19:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

'Estão fazendo tempestade em copo d'água', diz relator da comissão da maioridade penal, Laerte Bessa

Montagem/Agência Brasil/Agência Câmara

Dois menores que cometem um crime, na opinião do deputado Laerte Bessa (PR-DF), podem ser diferenciados. Escolhido para relatar a comissão que analisa a redução da maioridade penal, o deputado disse que sabe “sabe distinguir entre um jovem de alta periculosidade e outro”. Para ele, estão "fazendo tempestade em copo d'água".

Ex-delegado e ex-diretor da Polícia Civil do Distrito Federal, Bessa disse ainda que já foi vítima de menores agressivos. Para ele, a nova regra, que a Câmara discute, deve atingir principalmente esses “meninos violentos”.

“Um menor violento, como o Champinha, que matou seis pessoas, é o exemplo do que a gente quer pegar. Esse menor, apesar da pouca idade, ele já tem que ir preso. Infelizmente. Queremos pegar o reincidente em crime hediondo, a lei vai ser dura para aquele violento que a gente sabe que é difícil a recuperação."

Na avaliação, do deputado, será preciso ter um trabalho paralelo alinhado com a reeducação nas escolas e uma reformulação dos presídios. "Acredito que a redução vai demorar um ano, dois anos, para entrar em vigor. Tem esse prazo para a gente preparar as crianças e jovens na educação. Caso eles venham a delinquir, que o julgamento se dê num sistema penitenciário digno”, pontuou.

O deputado, declaradamente favorável à redução da maioridade penal, minimiza os impactos da medida. Segundo ele, nem os maiores que cometem crimes de menor potencial vão para os presídios.

“Não tem estelionatário nem ladrão preso porque a Lei de Execuções Penais é muito benevolente. Com o menor, então… O pessoal está fazendo tempestade em copo d’água. Quem vai responder é que aquele autor de crimes violentos."

Bessa foi escolhido relator pelo presidente da comissão,André Moura(PSC-SE). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (15). De acordo com Moura, o ex-delegado é o que melhor reúne as características para fazer um relatório que atenda "o que estamos esperando, com o pensamento majoritário da comissão”.

A bancada progressista da comissão prepara uma reação. A intenção é mudar o cenário, que tende a ser de aprovar a redução, nos debates.

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