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14/04/2015 16:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Antes de pedir para deixar o PP, Jair Bolsonaro afirma que sangue de homossexuais ‘não é confiável' (VÍDEO)

Apesar de ter sido condenado a pagar uma indenização de R$ 150 mil por declarações homofóbicas, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) não perde a oportunidade de tecer as suas opiniões contra o movimento LGBT. Um dia antes de pedir a sua desfiliação do Partido Progressista, ele deu uma entrevista ao programa Super Pop, da Rede TV!.

Em determinado ponto da entrevista, foi exibido um vídeo que desmente o boato de que Bolsonaro tenha protocolado um projeto de lei que determina a separação do sangue de heterossexuais e homossexuais. Mas isso não significa que ele não tenha uma opinião sobre o assunto.

“Veja uma coisa, o Ministério da Saúde apresentou um estudo há poucos anos que diz que, entre o sangue entre um homo e um heterossexual, o homossexual tem 17% mais chances de transmitir o vírus HIV. Isso foi discutido, tem entrevista, não apresentei o projeto”, afirmou o deputado federal.

Em seguida, Bolsonaro se defendeu e disse que não se trata de “discriminação”. “São dados. Sangue é vida, é o combustível do nosso corpo. Entre o sangue meu, por exemplo, e o de um homossexual... não tô dizendo, é o Ministério da Saúde quem disse”, emendou.

Não foi a primeira vez que Bolsonaro deu esse posicionamento. Em 2011, à revista Época, ele disse o seguinte quando questionado se aceitaria uma transfusão de sangue vinda de um homossexual: “O risco de ser contaminado com o sangue de homossexual é 17 vezes maior do que com o de heterossexual. Duvido que alguém aceite sangue doado por homossexual sabendo desse risco. Cuidar da minha saúde é diferente de ser preconceituoso”.

De concreto, o que existe é uma portaria de número 1.353, de 13 de junho de 2011, na qual o Ministério da Saúde diz que “a orientação sexual não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue, por não constituir risco em si própria”, mas que considera ‘inapto’ a doar “homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras

sexuais destes”.

Bolsonaro quer alimentar ‘sonhos’ fora do PP

Durante encontro nacional do PP, Bolsonaro pediu a sua desfiliação do partido. Mais votado da sigla e do Rio de Janeiro em 2014, com 464.572 votos, ele argumentou que possui “sonhos”, mas “não tem espaço” na sigla para concretizá-los – ele quer ser candidato à Presidência em 2018, como já quis no ano passado, mas o PP compõe a base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT) e não sinaliza que terá candidato próprio no próximo pleito.

“Com muita dor no coração, quase com lágrimas nos olhos, para que não tenha um sonho interrompido - e o meu sonho é o Brasil, não é o partido -, peço humildemente ao prezado senador Ciro Nogueira que, sem perda do mandato, me conceda a minha desfiliação do Partido Progressista”, afirmou Bolsonaro. Por enquanto, nem Nogueira, nem o partido, se pronunciaram sobre o pedido.

Bolsonaro fez críticas à sigla quando a legenda apareceu como a com maior número de investigados na Operação Lava Jato. Ao todo, são investigados três de seus cinco senadores (60%), 18 dos 40 deputados do partido (45%), oito ex-deputados e o vice-governador da Bahia, João Leão. Na época, em sua página no Facebook, o deputado disse que não tinha se desfiliado pelo temor de perder o mandato.

A LISTA DO PPNa sessão do Congresso de 03/dez/2014 já antecipava opinião sobre o meu partido - PP - e seu envolvimento...

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Sábado, 7 de março de 2015


Ao R7, Bolsonaro afirmou ter sido sondado por outros partidos, como o PRTB de Levy Fidelix, o PTC de Daniel Tourinho – citado no #SwissLeaks e fundador do PRN, partido que em 1989 elegeu Fernando Collor para a Presidência –, e o Partido Militar, sigla que promete pedir registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda em 2015.

“Tem partido pequeno que me quer porque eles sabem que eu possa não chegar, mas posso ter força para um segundo turno e tal e ter uma boa bancada”, disse o deputado.

(Com Estadão Conteúdo)

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