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13/04/2015 10:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Eleitorado mais velho e que votou em Aécio Neves em 2014 foi às ruas no domingo contra a corrupção (PESQUISA)

Montagem/Estadão Conteúdo

A irritação com acorrupção motivou um em cada três manifestantes a participar dos protestos que levaram mais de 670 mil brasileiros às ruas neste domingo (12). A avaliação é da pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (13). Para 33% dos entrevistados, o foco do ato estava voltado contra a corrupção no Brasil.

O impeachment veio a seguir, motivando 13% dos manifestantes, enquanto 11% protestavam contra o governo da presidente Dilma Rousseff e outros 11% focaram a sua indignação do partido dela, o PT. Em comparação com os atos anteriores, do dia 15 de março, as porcentagens diminuíram em todos os itens citados.

Entre os insatisfeitos, a grande maioria seguiu sendo formada por eleitores do tucano Aécio Neves nas eleições de 2014 (83%), que se declarava branca (73%) e que acreditava que Dilma será afastada da presidência (44%). Além disso, 77% dos entrevistados se disseram favoráveis ao impeachment, enquanto 96% consideram o governo da petista ruim ou péssimo.

De acordo com o Datafolha, 100 mil pessoas foram à Avenida Paulista neste domingo, enquanto a Polícia Militar estimou o público em 275 mil. O levantamento entrevistou 1.320 pessoas, entre às 12h e 18h. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

“Debate é mais complexo”, diz especialista

O menor número de pessoas nas manifestações contra o governo da presidente Dilma Rousseff realizadas neste domingo em todo o Brasil, em relação a 15 de março, mostra que o debate em torno de algumas bandeiras, como o impeachment da presidente, é mais complexo e precisa de condicionantes, avalia Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político e professor da FGV.

“Sinaliza ainda que as respostas buscadas pelo governo federal, como a sanção da lei anticorrupção e trocas em alguns ministérios, surtiram efeito, ainda que a insatisfação da população tenha crescido. A rejeição das pessoas em relação ao governo não diminuiu. O governo continua muito mal avaliado, mas como não existe um fato que justifique o impeachment, as pessoas se questionam se vale todo o esforço quando o resultado não é concreto”, avaliou Teixeira, em entrevista ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Quase todos os Estados e o Distrito Federal registraram atos contra o governo Dilma. Além de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Manaus, Recife e outros. Em muitas cidades, os protestos já foram encerrados.

Para o professor da FGV, o discurso que pede o impeachment de Dilma é pouco sustentável. O fato de a oposição sequer ter aderido ao debate, diz, é prova disso. Carvalho Teixeira disse ainda que a ausência de Aécio nos protestos de domingo, assim como em 15 de março, é cálculo político e não está condicionada ao número de pessoas. “Ele poderia ser impedido de ir ou ser vaiado”, observou o especialista.

Sobre a postura do governo em relação às manifestações, o cientista político avaliou como assertiva a decisão de partir para a discrição. Segundo ele, o governo cometeu ‘grande erro’ ao impulsionar os atos anteriores com pronunciamentos em rede nacional e aparições da presidente Dilma, geralmente seguidos por panelaços.

“O governo percebeu que não vale a pena se pronunciar em rede, pois o clima de rejeição é muito grande e é melhor trabalhar com comunicados e atuar em questões mais pontuais. Tiraram a presidente Dilma de cena e as respostas dadas ajudaram a diminuir o tamanho da mobilização”, analisou Teixeira. Ele lembrou ainda que os principais mobilizadores dos atos contra o governo federal têm capilaridade em redes sociais, mas não possuem tanta estrutura organizacional para levar um grande contingente de pessoas às ruas.

Neste domingo, o PT e simpatizantes da ala pró-Dilma preferiram usar as redes sociais para reagir às manifestações. Conseguiram, inclusive, colocar a hashtag #AceitaDilmaVez nos assuntos do momento (trending topics) do Twitter.

(Com Estadão Conteúdo)

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