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13/04/2015 18:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Boko Haram coloca a vida de 800 mil crianças em risco, diz relatório da Unicef

PHILIPPE DESMAZES via Getty Images
A Nigerian refugee waits outside a tent of UNHCR, on April 7, 2015 in the Nigerian refugees camp named 'Dar-es-Salam' near Baga Sola in the Chad lake region. Chad, Niger and Cameroon have sent troops into action two months ago against Islamist movement Boko Haram, whose bloody insurgency threatens the region surrounding Lake Chad, where the borders of all four nations converge. AFP PHOTO/PHILIPPE DESMAZES (Photo credit should read PHILIPPE DESMAZES/AFP/Getty Images)

Um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Unicef estima em 800 mil o número de crianças que foram obrigadas a abandonar as suas casas e se encontram em risco devido à ameaça terrorista do grupo Boko Haram na Nigéria. O documento, intitulado "Infâncias Perdidas", aponta que o "número de crianças cujas vidas estão em risco na Nigéria, ou cruzando as fronteiras com o Chade, Níger e Camarões, aumentou mais do que o dobro em menos de um ano".

A Unicef destacou que, ao todo, mais de 1,5 milhão de pessoas estão desabrigadas por conta do avanço jihadista, sendo que a ampla maioria está alocada temporariamente em "centros comunitários com pouco acesso a suporte humanitário, o que amplia as restrições aos já limitados serviços de saúde, educação e sociais".

A agência da ONU para a infância e juventude também chama a atenção para os sequestros de crianças operados pelo Boko Haram. Em 14 de abril do ano passado, mais de 200 garotas foram raptadas de uma escola em Chibok, no Estado de Borno, ao norte da Nigéria. Segundo Manuel Fontaine, diretor regional da organização para as regiões Centro e Oeste da África, o sequestro das meninas "é apenas uma entre as intermináveis tragédias que ocorreram em escala épica por toda a Nigéria e região". "Diversos meninos e meninas estão desaparecidos na Nigéria. Eles foram sequestrados, recrutados por grupos armados, atacados, usados como armas ou forçados a fugir da violência. Eles têm o direito de recuperar suas infâncias", acrescentou Fontaine.

Os pesquisadores da Unicef constataram que as crianças têm sido utilizadas pelo Boko Haram como combatentes, cozinheiros e olheiros. Os jihadistas também se baseiam na sharia islâmica, uma interpretação radical do Corão, para forçar jovens mulheres e garotas a se casarem com os extremistas do grupo. Pelo menos 196 professores e 314 alunos foram mortos no ano passado, enquanto o número de escolas destruídas se aproxima de 300.

Meninas de Chibok

Às vésperas do primeiro aniversário dos crimes que chocaram o mundo em Chibok, o paradeiro das 200 meninas sequestradas pelo Boko Haram é incerto. Informações divulgadas recentemente especulavam que elas poderiam ter sido mortas pelos terroristas. À rede BBC, no entanto, quatro testemunhas afirmaram nesta segunda-feira que viram cinquenta das garotas há três semanas em Gwoza, também no Estado de Borno.

O Exército nigeriano retomou o controle da cidade no último mês, forçando os terroristas a fugir para montanhas próximas à fronteira com os Camarões. Não é possível determinar se as meninas flagradas com eles também se encontram na região montanhosa.