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08/04/2015 12:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Após DEM aceitar, PTB recua e fusão entre partido governista e outro da oposição não sai até o segundo semestre

Montagem/Facebook e iStock

Dada como certa por alguns parlamentares durante as últimas semanas, a fusão entre o Democratas (DEM) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) agora pode nem sair do papel. Houve quem comemorasse, mas nem todo mundo ficou feliz, como era esperado. Uma definição mais clara deve ocorrer no segundo semestre deste ano.

Desde as eleições de 2014, o DEM vem estudando uma fusão, uma vez que perdeu espaço na política brasileira nos últimos anos. Depois de conversar com siglas como o Solidariedade (SD), o partido parecia estar em entendimentos com o PTB. Na terça-feira (7), a Executiva do DEM aprovou, por 21 votos a 4, a fusão entre as legendas.

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE REUNIÃO DA EXECUTIVA NACIONAL DO DEMOCRATAS DESTA TERÇA-FEIRA (7) A Comissão Executiva...

Posted by José Agripino on Terça, 7 de abril de 2015

A polêmica foi grande, tanto que vários parlamentares do DEM – partido de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) – partiram para o ataque contra a própria sigla. Um deles foi o deputado federal Onyx Lorenzoni (RS)...

... Acompanhado pelo senador Ronaldo Caiado (GO).

As vozes dissonantes no DEM sorriram com a decisão da Executiva do PTB de, neste momento, não se fundir. O encontro, que terminou na madrugada desta quarta-feira (8), definiu que as bases serão consultadas em setembro. Até lá, nada deve acontecer de concreto, salvo as conversações de bastidores, segundo informações do jornal O Globo.

Um dos pontos mais controversos é que, de saída, o novo partido ficaria em uma posição desconfortável, já que o PTB é hoje integrante da base aliada de Dilma – o senador Armando Monteiro (PTB-PE) é hoje ministro do Desenvolvimento. A ala minoritária do DEM não aceita integrar o governo, enquanto setores do PTB gostariam de declarar “independência”.

Uma dessas “independentes” é a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), presidente do partido e que, durante as eleições de 2014, acabou presa sob a acusação de estar fazendo boca de urna. Ela é filha do ex-deputado e delator do mensalão, Roberto Jefferson, e estava sendo cotada como a virtual presidente do novo partido.

Se a fusão sair do papel no segundo semestre, a nova sigla terá 46 deputados no Congresso Nacional, se tornando a quarta maior bancada, atrás de PT, PMDB e PSDB, e à frente do PSD, partido criado pelo ex-prefeito de São Paulo e ministro das Cidades Gilberto Kassab, e que arrebanhou uma série de parlamentares que militavam pelo DEM.

Essa não é a única negociação em andamento para uma eventual fusão de partidos. O PSB e o PPS sinalizaram que poderiam se fundir em uma nova legenda ainda durante as últimas eleições, mas o assunto arrefeceu nos últimos meses. Mais forte está o encaminhamento da “ressureição” do Partido Liberal (PL), costurada por Kassab e que pode fundir PSD, Pros e até partidos menores da atual base aliada do Palácio do Planalto.

Na contramão dessas fusões, a Rede Sustentabilidade, o Partido Novo e o Partido Militar são apenas três dos que prometem ainda em 2015 dar entrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em seus pedidos de criação. Hoje, a política brasileira conta com 32 partidos registrados, tendo 28 deles representação no Congresso. Até 2016, ano das eleições municipais, isso pode mudar e muito.