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07/04/2015 17:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

A explosão de supernova no centro da nossa galáxia criou poeira suficiente para fazer 7.000 Terras

NASA/Cornell

Os cientistas sabem há muito tempo que "nós somos feitos de matéria estelar" - ou, em outras palavras, da poeira cósmica.

Mas de onde toda essa poeira veio e como ela sobreviveu tem sido um tanto misterioso.

Pesquisas anteriores consideravam que as supernovas – ou explosões de estrelas em seu estertor – lançavam enormes quantidades de poeira no princípio do universo.

No entanto, os astrônomos não sabiam que esse pó era capaz de resistir a essas ondas de choque vindas da explosão que serviriam de alimento para os planetas e as estrelas se formarem.

Agora, pela primeira vez, uma equipe internacional de astrônomos observou diretamente uma nuvem de poeira cósmica que conseguiu sobreviver ao ambiente turbulento de uma supernova remanescente, o que dá suporte à teoria de que as supernovas produziam uma grande quantidade de poeira cósmica no princípio do universo.

"Nossas observações revelaram que uma nuvem particular, produzida por uma explosão de supernova há 10.000 anos, contém poeira suficiente para fazer 7.000 Terras", disse o Dr. Ryan Lau, principal pesquisador e professor adjunto de pós-doutorado em astronomia da Universidade de Cornell, em um comunicado escrito.

(A história continua abaixo da imagem.)

Observando o centro da Via Láctea, nesta imagem em falsa cor, vemos que as linhas de contorno revelam a área com poeira da Sagittarius A Oeste - uma remanescente antiga de supernova.

Lau e seus colegas descobriram a poeira evasiva usando o Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha (SOFIA, na sigla em inglês), observatório aerotransportado da NASA, que consiste de um telescópio refletor a bordo de um Boeing 747 modificado.

"Nós estávamos em um observatório voador viajando a 600 mph (965 km por hora) a uma altitude de 45.000 pés (13.715 metros) para capturar imagens de uma... supernova remanescente localizada a 27.000 anos-luz de distância de nós, no centro da nossa galáxia", disse Lau ao site Space.com.

"Uma das coisas mais surpreendentes é que nós não esperávamos ver nada disso."

A poeira remanescente da Supernova, detectada pelo SOFIA (amarelo), sobrevive longe do gás de raios-X (roxo) mais quente. A elipse vermelha descreve a onda de choque da supernova.

De acordo com Lau, a sua equipe estava na verdade olhando "duas características mais brilhantes" em torno da Sagittarius A Leste, uma remanescente da supernova no centro da Via Láctea, quando eles detectaram a poeira.

Ao tomar imagens infravermelhas detalhadas da nuvem de poeira, os pesquisadores foram capazes de estimar que cerca de 7 a 20 por cento da poeira sobreviveu às ondas de choque da explosão.

Os pesquisadores dizem que isso pode ter ocorrido devido ao gás denso circundante que ajudou a esfriar a poeira, reportou o Space.com.

Um artigo que descreve a pesquisa foi publicado online em 19 de março na Revista Science.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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