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07/04/2015 11:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Beijo gay entre alunos gera suspensão e protesto em escola de São José do Rio Preto (VÍDEO)

Dois alunos de uma escola estadual de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, foram suspensos pela direção após terem sido vistos se beijando na instituição. A alegação é de que “escola não é lugar para namorar”, mas coletivos e estudantes da mesma escola acreditam que trata-se de um caso de intolerância e homofobia.

“A nossa luta é todo dia, educação sem homofobia”, cantaram alunos da Escola Estadual Monsenhor Gonçalves e demais manifestantes durante um protesto com cerca de 150 pessoas, nesta segunda-feira (6). A suspensão aconteceu na semana passada e é válida por cinco dias. A denúncia foi feita por outro aluno, que viu o beijo entre os dois rapazes, de 16 e 17 anos, no banheiro.

Diante da polêmica, um dos alunos envolvido já pediu transferência e deixou a escola – seguindo uma orientação repassada pela própria diretoria. O outro estudante pode seguir o mesmo caminho. O Sindicato dos Professores da cidade reprovou a atitude da escola.

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Posted by Sinpro - São José do Rio Preto on Sexta, 3 de abril de 2015

“Por mais que um beijo não seja um ato de se fazer dentro da escola, nenhum casal heterossexual foi convidado a se retirar por causa de um beijo. A escola precisa ser orientadora e acolhedora, e ela não foi, simplesmente quis tirá-los da escola”, afirmou ao G1Ana Carolina Cabral, integrante do movimento estudantil em Rio Preto.

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Posted by Movimento Mulheres em Luta - São José do Rio Preto/SP on Sexta, 3 de abril de 2015

De acordo com informações do jornal Diário da Região, o beijo entre os dois estudantes era a celebração pelo pedido de namoro feito por um deles. A notícia da orientação sexual de um dos alunos pegou até mesmo a família de um deles de surpresa. “Não respeitaram o meu tempo”, comentou à publicação o estudante.

Uma das mães do envolvidos, que é pastora em uma igreja evangélica, teria inclusive expulsado um dos estudantes de casa, já que “não estaria aceitando” a orientação sexual do filho. “Beijar na escola não é certo, mas não precisa de tudo isso. Poderiam dar apenas uma advertência. Teve um casal (hétero) que namorou do 1º ao 3º ano (do ensino médio). Eles viviam se beijando, se agarrando, sentando um no colo do outro, e nada acontecia”, disse.

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Posted by GADA ONG Direitos Humanos on Sexta, 3 de abril de 2015

Para o diretor da ONG pelos Direitos Humanos Gada, Júlio Cesar Caetano, está claro o preconceito por parte da direção da escola. “Nós temos legislação tanto do estado quanto do município que proíbe e pune qualquer tipo de discriminação relacionado à homofobia”, afirmou ao Bom Dia Brasil.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que não compactua com qualquer preconceito e que o caso será investigado e não estão descartadas punições à direção da escola.

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