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06/04/2015 17:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

"Canivete suíço" de 500 mil anos atrás lança nova luz sobre o abate de animais na pré-história

American Friends of Tel Aviv University/AFTAU

Um conjunto de ferramentas de pedra de meio milhão de anos de idade está deixando cientistas maravilhados. Uma das ferramentas é algo que está sendo descrito como um “canivete suíço” pré-histórico.

As ferramentas foram encontradas ao lado de restos de animais retalhados, como uma costela de elefante que ostenta marcas de cortes (ver foto acima), num sítio arqueológico em Revadimin, Israel, em 2004.

Agora, pesquisadores que analisaram os objetos encontrados descobriram que as ferramentas estão cobertas de gordura animal e as estão descrevendo como a primeira prova direta do uso de ferramentas de pedra por nossos ancestrais humanos para retalhar animais.

“Até agora, arqueólogos só puderam aventar hipóteses sobre o uso e a função dessas ferramentas”, disse o arqueólogo Ran Barkai, do Departamento de Arqueologia e Culturas do Oriente Médio da Universidade de Tel Aviv, em comunicado escrito.

“Não temos uma máquina do tempo. Fazia sentido que essas ferramentas fossem usadas para retalhar carcaças de animais, mas até esta evidência ser encontrada e comprovar a ideia, tudo não passava de teoria.”

Depois de examinar o desgaste na superfície das ferramentas e fazer experimentos com réplicas delas, os pesquisadores concluíram que uma delas era uma machadinha de mão, uma espécie de “canivete suíço” pré-histórico que teria sido usado para cortar e retalhar ossos e tecidos dos animais.

Outra ferramenta, descrita como raspador, provavelmente era usada para separar a gordura e a pelagem dos animais de seus músculos.

A machadinha de mão, ostentando sinais de uso (pontinhos vermelhos) e resíduos de gordura animal (pontos em azul).

A descoberta das ferramentas antigas ajuda a lançar nova luz sobre “um avanço importantíssimo na evolução humana”, disse Barkai no comunicado.

Por que? Quando os hominídeos pré-históricos, como o Homo erectus, desenvolveram cérebros maiores, precisaram elevar sua ingestão calórica, o que exigiu a mudança de uma dieta vegetal para uma dieta de base carnívora, informou a Live Science.

Para isso foi preciso desenvolver uma tecnologia mais avançada, capaz de extrair gordura e músculos de carcaças animais.

“Para poderem fazer uso dos recursos animais, eles precisavam de ferramentas para cortar e retalhar as carcaças”, disse Barkai à Live Science. “Estas ferramentas se adequaram às necessidades desses hominídeos.”

A pesquisa foi publicada online em 18 de março no periódico PLOS ONE.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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