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05/04/2015 13:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

ONG faz enterro simbólico em Copacabana para pedir paz

riodepaz/divulgação

O Rio de Janeiro teve mais um dia de protestos pela paz. Desta vez, o ato foi na Zona Sul, na praia de Copacabana. Vestidos de preto, manifestantes fizeram um cortejo fúnebre simbólico das crianças mortas por balas perdidas no Rio de Janeiro desde 2007. Este é o terceiro dia de atos depois da morte do menino Eduardo Ferreira, 10 anos, atingido por um tiro de fuzil na cabeça na porta de sua casa durante uma ação policial no Complexo do Alemão.

Segundo a ONG Rio de Paz, que organizou o protestos deste domingo, o objetivo é "despertar o povo carioca para a união histórica e inédita de todos os setores da sociedade civil e do poder público a fim de que a principal causa das mortes violentas seja atacada: o abismo que separa ricos de pobres".

Manifestação em Copacabana . #quemmatoueduardo

Posted by Rio de Paz on Sunday, April 5, 2015

"Como esperar pela pacificação de uma cidade tão desigual, na qual os desiguais vivem lado a lado, num contexto de impunidade, corrupção e descaso por parte das autoridades públicas?", questiona o fundador da ONG, Antônio C. Costa, em comunicado.

Segundo a ONG, 18 crianças foram assassinadas nos últimos oito anos.

No ato, após a caminhada, os manifestantes fizeam um enterro simbólico de um caixão nas areias da praia. A intenção, segundo a ONG, foi mostrar o que "acontece com a democracia quando menosprezamos o direito do pobre, que é quem mais morre na nossa cidade perante a indiferença do poder público e da sociedade."

O ato foi pequeno - segundo o G1, cerca de 20 pessoas estiveram no local. Costa desabafou: "era para a Zona Sul inteira estar hoje em Copacabana", afirmou.

Eduardo Ferreira

Os pais de Eduardo embarcam hoje para o Piauí, onde o menino será enterrado. As despesas serão arcadas pelo governo fluminense. Rivaldo Barbosa, delegado da Divisão de Homicídios, prometeu "empenho máximo" nas investigações. "Não vai ter proteção a ninguém. É preciso definir quem atirou e punir os responsáveis", disse.

Eduardo foi atingido por um tiro de fuzil na última quinta-feira, 2. Após sua morte, moradores do Complexo do Alemão tomaram as ruas por dois sias seguidos para protestar. Na sexta-feira, 3, houve confronto com a polícia. No sábado, 4, o protesto ocorreu de forma pacífica.

Veja as fotos do ato deste domingo:

  • Enterro simbólico
    Enterro simbólico
    ERBS JR./FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO
    Protesto organizado pela ONG Rio de Paz relembrou crianças mortas por balas perdidas desde 2007.
  • Cortejo fúnebre
    Cortejo fúnebre
    ERBS JR./FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO
    Enterro quis 'mostrar o que acontece com a democracia quando menosprezamos o direito do pobre, que é quem mais morre na nossa cidade perante a indiferença do poder público e da sociedade.'
  • Caminhada de luto
    Caminhada de luto
    ERBS JR./FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO
    Para organizadores, faltou adesão da população. "Era para a Zona Sul inteira estar aqui."
  • Luto pelas crianças mortas
    Luto pelas crianças mortas
    ERBS JR./FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO
    Ativistas seguravam folhas com os nomes das crianças assassinadas nos últimos oito anos. "Criança pobre é quem geralmente morre", diz a ONG.
  • Vítimas esquecidas
    Vítimas esquecidas
    ERBS JR./FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO
    Segundo a Rio de Paz, o socorro por parte das autoridades públicas ao parentes das vítimas inexiste. E sociedade raramente protesta.
  • Sem punição
    Sem punição
    Rio de Paz/divulgação
    Segundo a ONG, a maioria das mortes ocorreu em confronto entre traficantes e policiais e é raro que os culpados sejam punidos.