COMPORTAMENTO
31/03/2015 09:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Esta dieta pode cortar seus riscos de Alzheimer em 50%

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E se houvesse uma medida preventiva que pudesse cortar pela metade o risco de desenvolver mal de Alzheimer?

Alguns nutricionistas podem ter encontrado a fórmula: uma dieta mediterrânea com muitos nutrientes e pequenas quantidades de açúcar e gorduras não-saudáveis.

A dieta ganhou o nome de MIND (em inglês, a palavra significa mente e compõe a sigla de intervenção mediterrânea para retardar a degeneração neurológica) e pode ser eficaz mesmo que não seguida à risca, segundo um novo estudo da Universidade Rush . Pesquisadores descobriram que as pessoas que seguiram a dieta de perto tinham uma probabilidade 53% menor de desenvolver Alzheimer. Aqueles que a fizeram de forma moderada baixaram em 35% o risco de desenvolver dessa doença devastadora.

A dieta MIND incorpora elementos da dieta mediterrânea – muito peixe, gorduras saudáveis, vegetais e grãos integrais, uma combinação que pode reduzir o risco de doenças cardíacas e câncer – e da DASH (sigla em inglês para abordagem dietética para evitar a hipertensão) – que tem muitas frutas, vegetais e laticínios de baixo teor de gordura e pode reduzir o risco de hipertensão, ataques do coração e derrames.

Em um comunicado de imprensa, os pesquisadores afirmam que a dieta MIND é mais fácil de seguir que a dieta mediterrânea completa, que exige consumo diário de peixe e várias porções de frutas e vegetais.

Eis um dia típico da dieta MIND:

3 porções de grãos integrais

Uma salada mais um vegetal

Um copo de vinho

Nozes para o lanche

Mirtilo ou morangos

Frango ou peixe

Feijões (dia sim dia não)

Além de ingerir esses alimento saudáveis, o protocolo MIND exige evitar comidas como manteiga e queijo, carne vermelha, doces e comidas fritas ou processadas.

No geral, a dieta “enfatiza comidas baseadas em plantas e consumo limitado de carne animal e comidas com gorduras saturadas, além de especificar o consumo de frutas silvestres e verduras”, diz o estudo.

Para avaliar o efeito protetor da dieta, os pesquisadores olharam para os dados de consumo de comida de 900 americanos mais velhos que já participavam do Projeto Rush de Memória e Envelhecimento. O projeto começou em 1997 e estuda problemas relacionados ao envelhecimento. Em vez de pedir que os voluntários do estudo seguissem a dieta MIND, eles analisaram dados de uma década dos participantes que já se alimentavam segundo os princípios da dieta, assim como aqueles que baseavam sua alimentação nas dietas mediterrânea e DASH.

Ao longo de um período de cinco anos, a equipe coletou dados de incidência de Alzheimer. O estudo controlou vários fatores que têm influência conhecida no desenvolvimento da doença, como educação, atividade física, fumo e condições cardiovasculares.

A equipe descobriu que a dieta MIND reduzia os riscos de Alzheimer em 53%, enquanto a dieta mediterrânea reduzia os riscos em 54% e a DASH, em 39%. Mas, mesmo quando a dieta MIND era seguida de forma parcial, o risco de desenvolver Alzheimer foi reduzido em 35%. No caso das outras dietas, os benefícios foram negligenciáveis.

“Foi surpreendente descobrir que até mesmo os indivíduos que faziam a dieta MIND de forma moderada tiveram redução no risco de Alzheimer”, disse por email ao The Huffington Post Martha Morris, autora do estudo. “Não foi o caso com a dieta DASH ou a mediterrânea. Para ambas, só uma aderência completa mostrou benefícios.”

A explicação deve residir no fato de que a dieta MIND foi desenvolvida especificamente para refletir as pesquisas mais recentes sobre nutrição e cérebro, diz Morris. Se seguida por muitos anos, a dieta é muito promissora na prevenção do mal de Alzheimer.

“As pessoas que se alimentam conforme essa dieta ao longo dos anos têm a melhor proteção”, diz Morris em um comunicado.

Muitos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença – incluindo genética, ambiente e estilo de vida --, mas a pesquisa sugere que a dieta certamente está entre esses fatores. Portanto, a nutrição pode ser uma medida preventiva eficaz.

A pesquisa foi publicada na edição de março do Journal of the Alzheimer’s Association.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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