COMPORTAMENTO
31/03/2015 17:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Brasileira dá a volta ao mundo de carona e lança livro

Ela percorreu os cinco continentes, visitou 38 países durante 13 meses, com um orçamento de 20 dólares por dia. Cruzou a América Latina e seguiu até São Francisco, nos EUA. Passou pela Ásia, Austrália, África, Oriente Médio, Europa. Em alguns momentos pegou um ônibus ou um voo, mas quase todo esse trajeto foi feito de carona, dormindo de favor, em postos de gasolina, ou usando os serviços de couchsurfing.

Essa é a história de Kivia Costa, que está de volta ao Brasil e agora vai lançar um livro que está sendo financiado via Catarse. Ela ainda criou um site onde compartilha dicas de viagem, o Kiviagem, e tem uma página no Facebook.

Enquanto o site é mais voltado para os aventureiros em busca de algum tipo de instrução, o livro traz histórias que Kivia conheceu ao longo do percurso. Uma delas, ouviu de uma mulher na Nicarágua:

“Ai, muchacha, foi muito duro! Eu nasci logo depois, mas minha mãe sempre me conta. Não dava para sair de casa nem para comprar pão. Foi muito difícil. Meu pai era revolucionário, vivia se escondendo e meus irmãos passaram fome. Foi horrível. Aqui mesmo nesta praça, era tiro e bomba o tempo todo. A Guarda Nacional estuprava as mulheres. Dizem que foi terrível. Horrible, muchacha, horrible!”.

Nesse tipo de projeto, costumam dizer que a pessoa largou tudo para viver uma aventura, mas não é o caso de Kivia. "A viagem foi uma continuação de quem sou: uma aprendiz", diz ela, que sempre teve o sonho de dar a volta ao mundo para ver tudo que há de mais exótico e interessante.

Ela começou a viagem aos 27 anos e parte de sua motivação para cair na estrada foi a vida cada vez mais inviável nas grandes metrópoles. Além disso, "não queria, quando mais velha, olhar para trás e pensar que queimei todos os melhores anos da minha vida nessa loucura (sem sentido) de carreira e status".

O fato de ser mulher e a perspectiva de viajar sozinha em nenhum momento assustou Kivia. Ela diz que viver já é perigoso. "Tudo o que escolhemos (e o que não escolhemos) fazer nesta vida carrega seus riscos. Precisamos avaliar, não só se queremos correr esses riscos, mas também se eles são reais ou se estão sendo exagerados pelos nossos parâmetros comportamentais", explica.

Kivia é uma entusiasta da vida na estrada e vê que essa é uma tendência que se torna comum. "Observo cada vez mais colegas partindo para uma vida nômade. Para mim, é mais um sinal de que estamos perto de um grande êxodo urbano", afirma.

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