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30/03/2015 19:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Clima: prazo para anunciar cortes de CO2 vence hoje e Brasil não se posiciona

O conturbado cenário político no Brasil vem desviando atenção de um dos mais sérios desafios do país em 2015: definir o corte voluntário de CO2 que vamos levar para a Conferência do Clima de Paris. O primeiro prazo acordado na ONU vence hoje. Vários países já fizeram seus anúncios, mas Brasília não coloca suas cartas na mesa.

As preocupações imediatas do governo -inflação, desemprego, corrupção e apagão- parecem fichinha perto do que as mudanças climáticas prometem a longo prazo: "acabar com qualquer caracterização de uma comunidade global civilizada", como alerta o editor-chefe do jornal The Guardian, Alan Rusbridger.

União Européia, Suíça, Noruega e até o México já anunciaram seus compromissos voluntários. Os EUA prometem fazê-lo ainda hoje. Quanto antes todos fizerem o mesmo, mais tempo os técnicos da ONU terão para analisar os dados e saber, afinal, quanto as negociações ainda terão de avançar na Conferência de Paris, em dezembro deste ano.

Esse encontro é visto por governos e cientistas como a última chance de um acordo global para evitar o caos climático. Mas nem a crise hídrica no Sudeste do país, que promete tirar água das torneiras e energia elétrica das tomadas brasileiras, parece suficiente para o governo Dilma reconhecer a urgência dessas definições.

Prova é que, neste momento delicado, o governo demitiu dois dos principais técnicos responsáveis pelos estudos do clima no país, Sérgio Margulis e Natalie Unterstell. Os dois coordenavam dezenas de grupos de estudo que estão elaborando a maior análise sobre adaptação às mudanças climáticas já feita no Brasil.

Esse trabalho é a base para o país definir seus cortes voluntários de CO2.

Intitulado “Brasil 2040”, detalha o impacto das mudanças climáticas nos nossos recursos hídricos, agricultura, geração de energia e infraestrutura. O responsável pelas demissões dos dois foi o ministro Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Resta agora saber o que Unger e Dilma vão colocar na mesa para a Conferência de Paris, ou COP 21, que acontece de 30 Novembro a 11 de Dezembro. O Brasil pode ter uma liderança positiva na conferência. Ou ajudar a levar o planeta para o caos.