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27/03/2015 14:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Germanwings: Companhias aéreas no mundo todo anunciam mudanças em procedimentos de cabine. E no Brasil?

Agência Estado

Autoridades de aviação da Alemanha anunciaram nesta sexta-feira (27) que todas as companhias aéreas do país, incluindo a Lufthansa e a Germanwings terão que adotar a regra que prevê que duas pessoas sempre fiquem dentro da cabine de comando de uma aeronave.

Mais cedo, o CEO da companhia, Carsten Spohr, havia afirmado que a medida não era necessária.

“Não vejo qualquer necessidade de modificação de nossos procedimentos aqui. Foi o caso de uma exceção. Mas vamos examinar o acontecimento junto com vários especialistas da Lufthansa e autoridades. Não devemos nos perder em medidas de curto prazo.”

A nova regra também afeta outras empresas do país como a Condor e a TuiFly.

Diversos países e companhias aéreas anunciaram mudanças no que diz respeito ao número de tripulantes dentro das cabines de comando após autoridades francesas anunciarem que o copiloto do Airbus A320 da Germanwings derrubou, propositalmente, a aeronave que fazia da rota entre Barcelona e Dusseldorf enquanto estava sozinho no comando.

Andreas Lubitz se trancou dentro da cabine e jogou o avião contra uma montanha dos Alpes Franceses. De acordo com os investigadores, ele aproveitou a ausência do piloto, que havia ido ao banheiro. Os 144 passageiros e os seis tripulantes a bordo morreram.

No Brasil, a TAM é a única companhia que confirma que adotava, mesmo antes do acidente, a prática. De acordo com o manual geral de operações da companhia, o piloto não pode “abandonar a cabine de comando, exceto por necessidade fisiológica, revezamento de tripulação ou por tarefas que somente ele possa cumprir”. Em todos esses casos, está prevista a presença de um comissário da tripulação na cabine de comando que fica lá dentro até que o comandante que se ausentou retome à sua posição.

A prática já é recomendada pela FAA, autoridade que regula o setor de aviação nos Estados Unidos e também pelas autoridades Irlandesas. A maioria dos países, no entanto, deixa suas companhias aéreas à vontade para estabelecer seus próprios procedimentos.

No Brasil, de acordo com o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) nº 121, o tripulante de voo pode deixar seu posto de trabalho nas seguintes situações:

(1) se seu afastamento for necessário para a execução de obrigações ligadas à operação do avião; (2) se o seu afastamento for em função de necessidades fisiológicas; ou (3) se estiver saindo para um período de repouso e sendo substituído: (i) no caso do piloto em comando, por um piloto qualificado para atuar como piloto em comando, possuidor de certificado de piloto de linha aérea e adequadamente qualificado para o avião e a operação; (ii) no caso do piloto segundo em comando, por outro qualificado para atuar, naquele avião, como tal.

Não há, no entanto, recomendação explícita em relação ao número de tripulantes que deve permanecer na cabine. A Agência não comentou sobre uma possível mudança, e afirmou que “continuará acompanhando a investigação juntamente com as demais autoridades aeronáuticas internacionais.”

Procurada pela reportagem do Brasil Post, a Azul Linhas Aéreas se limitou a dizer que “segue as regras estabelecidas pela Anac”. A Gol não quis se manifestar e a Avianca, até a publicação desta reportagem, não havia respondido os questionamentos.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, pilotos da Avianca teriam sido avisados de que haverá uma mudança nos procedimentos.

Resto do mundo

Companhias aéreas como a norueguesa Air Shuttle, a britânica EasyJet, a Air Canada e a Air Berlin afirmaram horas depois do acidente terem introduzido uma exigência para que dois tripulantes estejam na cabine de comando a todo momento. Companhias aéreas que já haviam implantado tais regras, como a Ryanair, apressaram-se em acalmar seus clientes.

O Canadá disse que iria impor a regra imediatamente a todas as suas companhias aéreas e autoridades de aviação civil do Reino Unido anunciaram que irão rever suas recomendações.

A Emirates Airlines também anunciou mudança nas regras. De acordo com o porta-voz da companhia, a política de manter sempre dois tripulantes na cabine foi implementada imediatamente após o poucos instantes depois do incidente envolvendo a aeronave da Germanwings.

(Com informações da Reuters)

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