COMPORTAMENTO
26/03/2015 17:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

A supermodelo Malaika Firth quer 'ignorar' o racismo no mundo da moda

Kirstin Sinclair via Getty Images
PARIS, FRANCE - OCTOBER 01: Model Malaika Firth on day 8 of Paris Fashion Week Spring/Summer 2014, Paris October 01, 2013 in Paris, France. (Photo by Kirstin Sinclair/FilmMagic)

Malaika Firth, 20 anos, é uma das poucos modelos negras a ter tido sucesso enorme na moda, um setor notório pela falta de diversidade.

Assim sendo, não seria descabido imaginar que ela, a primeira modelo negra em quase 20 anos a ser escolhida para estrelar uma campanha da Prada, entenderia o valor da posição elevada que alcançou e a aproveitaria para combater o desequilíbrio racial na moda.

Lamentavelmente, não foi o que aconteceu. Em entrevista recente ao jornal britânico The Telegraph, a beldade nascida no Quênia mas criada em Londres soltou alguns comentários insensíveis sobre o racismo na moda:

“A falta de diversidade racial é um problema grande no mundo das modelos, mas procuro ignorá-lo. Se você ficar falando disso, convertendo isso em um problema, vai continuar sempre presente. Acho que muita gente da minha idade não enxerga o racismo. Se pudermos continuar tentando fazer o que é melhor para nós, só isso, acho que estará tudo bem.”

Como é mesmo aquele ditado? “A felicidade está na ignorância”, ou seja, em não saber ou não querer saber. Parece ser esse o caminho que Malaika Firth está seguindo, apesar de suas contemporâneas – como Jourdan Dunn, Chanel Iman e Joan Smalls – aproveitarem sua condição de supermodelos para se manifestarem contra a falta de diversidade.

Beverly Johnson, a primeira mulher negra a sair na capa da Vogue americana, também não se cala sobre o assunto. Ela, que é ícone da moda, conversou com The Daily Beast sobre o novo contrato histórico de Rihanna com a Christian Dior e sobre a situação geral do mundo das modelos.

“Infelizmente”, ela disse ao site, “o racismo ainda faz parte da conversa, e a moda não difere de qualquer outro setor. Se quisermos avançar, isso precisa mudar. Não queremos retroceder. Vivemos em um mundo diversificado. Se você não participa nesse nível, você não faz parte do mundo. As pessoas precisam enxergar as pessoas como gente.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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