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26/03/2015 16:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

11 de setembro motivou mudanças no acesso às cabines de comando; entenda como funciona o acesso

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A porta de acesso à cabine dos pilotos de um avião pode ser aberta pelo lado de fora, inclusive quando não há ninguém em seu interior, a não ser que a abertura seja bloqueada deliberadamente, como as investigações indicam que aconteceu com o voo da Germanwingsque caiu nos Alpes franceses nesta terça-feira (24), matando 150 pessoas que estavam a bordo, explicou nesta quinta (26) um perito em acidentes aéreos.

O dirigente do sindicato espanhol de pilotos e investigador de acidentes aéreos, Álvaro Gammicchia, afirmou que a causa mais habitual pela qual um piloto pode deixar a cabine é por necessidades fisiológicas, embora também possa se ausentar para averiguar questões mecânicas, como o funcionamento dos flaps das asas ou o estado dos motores.

Segundo publicou o The New York Times, o piloto do Airbus A320 que caiu na França saiu da cabine e não conseguiu voltar.

A Promotoria francesa, que investiga o caso, confirmou nesta quinta-feira (26) que o copiloto Andreas Lubitz trancou propositalmente o piloto do lado de fora para depois iniciar o procedimento de descida que culminou no choque da aeronave contra o solo.

Nos primeiros 20 minutos de voo, de acordo com o promotor que lidera as investigações, o copiloto manteve uma conversa "normal e cortês" com o comandante. Depois se escuta o comandante repassar o procedimento de aterrissagem em Dusseldorf e o copiloto respondendo de forma "lacônica".

Posteriormente, o comandante pede para o copiloto assumir o comando do avião, provavelmente para ir ao banheiro, e em seguida é possível escutar o movimento de uma das poltronas e uma porta que se fecha. Nesse momento, quando o copiloto já está sozinho na cabine, ele aciona o sistema de descenso e não fala mais nada.

Segundo Gammicchia, existe um protocolo que permite a possibilidade de entrar na cabine, inclusive se as pessoas que permanecem do lado de dentro não tiverem capacidade de abrir a porta, como por exemplo, por ter sofrido um problema de saúde.

Desde a decolagem da aeronave, por questões de segurança, a cabine deve permanecer sempre fechada e existe um protocolo reservado que contempla todas as opções possíveis para poder abri-la baseada em códigos que só são conhecidos por membros da tripulação.

A alteração na segurança das cabines foi um dos reflexos dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando terroristas que viajavam como passageiros tomaram o controle de quatro voos nos Estados Unidos.

Para solicitar um acesso normal à cabine, a tripulação estabelece um código específico que na cabine se traduz em um aviso acústico que soa uma só vez. Neste caso e através de câmeras situadas no exterior da cabine, os pilotos podem comprovar que não se trata de ninguém alheio à tripulação antes de abrir a porta.

Do lado de fora, a tripulação também pode se comunicar com o interior da cabine através de um telefone para avisar, através de códigos que só eles conhecem, se estão solicitando entrar sob ameaças.

Em caso de emergência [confira vídeo abaixo], deve-se digitar no painel de acesso à cabine um código diferente que faz soar um alarme intermitente e, transcorrido um determinado tempo, a porta se abre automaticamente, salvo que isso também seja impedido por quem estiver dentro, afirmou Gammicchia, acrescentando que uma vez fechado propositalmente, o acesso aos controles do avião é praticamente impossível.