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23/03/2015 16:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Funcionários públicos e empresas estatais receberam propina de empresa alemã para firmar contrato na Copa do Mundo 2014

Estadão Conteúdo/Wilton Junior

Funcionários públicos brasileiros de um órgão do governo e de estatais teriam cobrado propina para dar a uma empresa alemã contratos para a Copa do Mundo de 2014. Essa foi a denúncia interna que a companhia de engenharia Bilfinger recebeu e que obrigou a direção a abrir investigações no ano passado.

A revelação foi publicada pelo jornal Bild e confirmada pela empresa. Já a Fifa jogou a responsabilidade para o Brasil, alegando que esses contratos não passaram por ela.

No total, em 2014, a companhia fechou contratos com o governo brasileiro avaliados em R$ 21,2 milhões. Além da Copa, a empresa presta serviços no Brasil para a Petrobras, para a Agência Nacional do Petróleo, para a o Senado Federal e para a Anatel.

Apenas para o fornecimento de 1,5 mil monitores e software para o Centro Integrado de Comando e Controle da Copa do Mundo foram R$ 13 milhões em contratos. O sistema foi considerado um dos principais legados do Mundial e permitia a centralização da operação de segurança.

À reportagem, o porta-voz da empresa na Alemanha, Sacha Bamberger, revelou que foi uma "denúncia interna" que resultou em uma investigação. "Começamos esse processo em 2014", indicou.

Segundo o Bild, porém, as propinas chegaram a 20 milhões de euros durante a preparação da Copa. A empresa confirma que uma avaliação inicial mostrou que, de fato, empregados estão sob a suspeitas de terem pagou propinas no Brasil para ficar com os contratos. Mas sugere que os valores seriam menores e apenas incluiriam um contrato de 6 milhões de euros.

"A Bilfinger recebeu informações internas no ano passado indicando que pode ter havido violações nos regulamentos de ética do grupo a respeito do fornecimento de monitores para os centros de segurança em grandes municípios brasileiros", disse a empresa por meio de uma nota.

"A empresa imediatamente abriu uma completa investigação sobre o caso. A denúncia está ligada à suspeita de pagamento de propinas por parte de funcionários da Bilfinger no Brasil a funcionários públicos e funcionários de empresas estatais", alertou a empresa.

Na avaliação inicial da empresa, não restam dúvidas de que existem provas que de fato "substanciam" as acusações e suspeitas que foram levantadas. A questão, segundo ela, é saber quem o recebeu e quando.

Por enquanto, a Justiça alemã afirma que está apenas "acompanhando o caso". Mas a própria companhia admite que, dependendo do resultado da investigação, a empresa lançará um processo contra os envolvidos.

E a Fifa?

Segundo o Bild, parte da propina ainda foi para funcionários da Fifa. Mas a entidade insistiu que a questão da segurança não era sua responsabilidade e que tal medida era de competência do Comitê Organizador da Copa, ao lado do governo brasileiro.

Contatada pela reportagem, a assessoria da entidade indicou que o caso se refere "a projetos do governo local". "Nem a Fifa e nem seus empregados estiveram envolvidos em dar contratos de cidades-sedes ou do governo federal", declarou. .