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23/03/2015 10:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Brasileiro diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, foi alvo de espionagem da Nova Zelândia em 2013

AP Photo

O diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), foi alvo de espionagem quando era postulante ao cargo que hoje ocupa. Segundo informações publicadas neste domingo pelo site The Intercept e pelo jornal New Zeland Herald, Azevêdo foi espionado pelo governo da Nova Zelândia em 2013 e teve seus e-mails bisbilhotados às vésperas da eleição em Genebra que o alçou ao cargo máximo na OMC.

Ambos os veículos citaram informações repassadas pelo ex-analista da Agência Nacional de Segurança americana (NSA, na sigla em inglês), Edward Snowden. Segundo as reportagens, a Nova Zelândia estava interessada em favorecer seu candidato à vaga de diretor-geral da OMC, o diplomata Tim Groser. Ministro de Comércio neozelandês, Groser era um dos principais nomes para fazer frente ao interesse dos países emergentes e era o candidato apoiado pela Casa Branca

Em 2013, a eleição para diretor-geral da entidade teve nove candidatos - algo inédito - e mobilizou a estreita colaboração dos países emergentes, que tinham ficado de fora de cargos-chaves em órgãos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O chamado 'Projeto OMC' foi uma operação de espionagem coordenada pelo Escritório de Segurança de Comunicações da Nova Zelândia (GCSB, na sigla em inglês) com o apoio da NSA, e seu objetivo era espionar Azevêdo e os outros candidatos de países emergentes: diplomatas do México, Costa Rica e Indonésia.

Mesmo com a ajuda do serviço secreto de seu país, Groser perdeu a eleição, que foi realizada em 16 de maio de 2013. Procurado pelo jornal O Estado de S. Paulo para comentar as revelações, o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo afirmou que não poderia comentar pois não estava ciente do conteúdo das denúncias. O documento citado pelas reportagens do The Intercept e do New Zeland Herald é datado de dez dias antes da votação, quando o nome de Azevêdo já era apontado como favorito depois de ter obtido o apoio público dos demais candidatos de países emergentes.

O primeiro-ministro neozelandês, John Key, se recusou a comentar a denúncia. "O governo não responderá a alegações feitas de documentos roubados por Edward Snowden", disse à imprensa de seu país. Groser também se esquivou e disse que vazamentos como esses "frequentemente estão errados".