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20/03/2015 15:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Para Marina, os protestos do dia 15 foram 'manifestação fantástica que extrapolou qualquer expectativa'

Felipe Dana/AP
Brazil's President Dilma Rousseff, presidential candidate for re-election of the Workers Party (PT), left, poses for a photo next to Marina Silva, presidential candidate of the Brazilian Socialist Party, PSB, as they arrive for a televised presidential debate in Rio de Janeiro, Brazil, Thursday, Oct. 2, 2014. Brazil will hold general elections on Oct. 5. (AP Photo/Felipe Dana)

A ex-candidata à Presidência Marina Silva voltou a se posicionar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Depois de publicar um artigo em que defendia essa posição no dia 14, logo antes dos protestos, a ex-ministra afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico nesta sexta-feira, 20, que um impedimento da presidente pode aprofundar o caos.

"A ideia do impeachment, sem que se tenha um fato que diga que há responsabilidade direta da presidente da República, não nos tira do caos. Pode aprofundá-lo", opinou Marina, que criticou a presidente Dilma Rousseff afirmando que durante a campanha a petista dizia que os problemas do Brasil eram "só uma dor de cabeça e que se iria curar com analgésico". "Agora se quer dar doses de morfina".

Para Marina, os protestos do dia 15 foram "manifestação fantástica que extrapolou qualquer expectativa".

"Eu brincava com o Eduardo Campos: acho que estas eleições são a chance de mudar antes de sermos mudados. Agora temos que nos preparar para ser mudados, a sociedade está nos mudando. Isso não vai parar, não vai arrefecer."

Sobre sua ausência do debate público depois das eleições de outubro, Marina disse que o afastamento não foi um silêncio e que se coloca em "posição de independência". Ela disse, porém, que sua posição é parecida com a do PSB e da Rede.

"Eu me coloco em uma posição de independência para poder assumir posição de não ser a priori contra ou a favor, mas olhar no mérito as questões de responsabilidade com o País."

Marina ainda repetiu o discurso de campanha dela e de Eduardo Campos ao dizer que não se pode personalizar as conquistas da democracia brasileira nos últimos vinte anos. "O Plano Real não pode ser o plano do Fernando Henrique. (...) Do mesmo modo, a inclusão social não é do PT ou do Lula", disse Marina.