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19/03/2015 10:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Retirar ciclovias é 'retrocesso que não se viu em nenhum lugar', diz especialista após ação do MP-SP

Montagem/Estadão Conteúdo

Retirar as ciclovias de São Paulo "é um retrocesso que não se viu em nenhum lugar do mundo", na avaliação de Thiago Benites, gerente de transportes ativos no Brasil do Institute for Transportation & Development Policy (ITDP), entidade com sede em Nova York que atua com prefeituras na elaboração de projetos de mobilidade.

"Voltar ao que estava antes na Avenida Paulista não faz sentido para ninguém", afirma.

Segundo Benites, o ritmo de instalação das ciclovias do Brasil "é parecido com que se viu em todo o mundo" e "não parece que não há estudos". "O que se via era uma série de estudos que nunca eram implementados. O conceito de uma rede mínima, que está sendo feito agora, mostra que há sim um planejamento", afirma o consultor, que também afasta qualquer possibilidade de as ciclovias trazerem insegurança. "Isso é um descalabro", afirma.

Já para o ativista e editor do site Vá de Bike Willian Cruz, o Ministério Público tem o direito de pedir para ver o projeto e questionar se houve estudos de implementação. "Mas interromper e retroceder o trabalho que já foi feito para a modalidade urbana na cidade é um absurdo."

Cada quilômetro de ciclovia custa R$ 200 mil. Até o momento, a Prefeitura já gastou cerca de R$ 54 milhões com o projeto. A promotora Camila Mansour Magalhães da Silveira não detalha o que ocorrerá com o dinheiro que já foi gasto nesse projeto, mas diz que quem investiga os custos é a Promotoria do Patrimônio Público e Social.

'Não adianta julgar obra que não está pronta', diz Haddad

O prefeito Fernando Haddad (PT) criticou na manhã desta quinta-feira (19), em entrevista à Rádio Capital, o pedido do Ministério Público. Ele disse que "não adianta julgar" uma obra que não está pronta. "Como a pessoa vai julgar um plano que está em construção? Não tem cabimento fazer ciclovia e deixar fechada", afirmou o prefeito.

A Prefeitura, lembrou Haddad, está implementando uma malha cicloviária mínima para conectar a bicicleta às estações de trem e metrô, além dos terminais de ônibus. "Estamos consolidando uma malha de 500 quilômetros. Vamos fazer mais 430 quilômetros até o fim do ano."

Haddad disse que os avanços na mobilidade urbana da capital são criticados pela população, mas reconhecidos por "quem está de fora". "Essa modernização de São Paulo às vezes as pessoas criticam, mas no dia 13 de janeiro fomos para Washington receber um prêmio de mobilidade. São Paulo foi escolhida como a cidade no mundo que mais fez pela mobilidade em 2014", declarou Haddad. "Quem está de fora está vendo. Não adianta julgar uma obra que não está pronta."

Segundo a Prefeitura, o Novo Plano Diretor Estratégico, aliado à expansão da rede cicloviária e das faixas exclusivas de ônibus, teriam contribuído para São Paulo ser uma das cidades vencedoras da 10ª edição do Sustainable Transportation Award (STA), prêmio internacional de transporte sustentável.

Além de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também foram premiadas. As três capitais brasileiras se juntam a outros cidades vencedoras do STA, como Nov a York, Londres, Paris e Buenos Aires. A entrega ocorreu no dia 13 de janeiro deste ano, em Washington, nos Estados Unidos.

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