NOTÍCIAS
19/03/2015 14:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Presidente Dilma Rousseff nega 'perspectiva' de reforma ministerial, após saída de Cid

Montagem/Estadão Conteúdo

Após a demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação, a presidente Dilma Rousseff negou nesta quinta-feira (19) que esteja planejando uma reforma ministerial. As declarações da presidente confrontam a tese de que ela teria aceitado conselhos de que é preciso fazer uma reforma ministerial para melhorar a relação com o Congresso e dar uma resposta à sociedade insatisfeita.

"Vocês estão criando uma reforma no ministério que não existe. São alterações pontuais. Não, eu estou fazendo uma alteração pontual, Ministério da Educação. Eu não tenho - estou dizendo a vocês - não tenho perspectiva de alterar nada nem ninguém, mas as circunstâncias, às vezes, obrigam você a alterar, como foi o caso da Educação."

Ela continuou e foi ainda mais enfática: "Não adianta vocês botarem que tem reforma ministerial: não tem reforma ministerial, não vou fazer. Reforma ministerial é uma panaceia, ou seja, não resolve os problemas. O que resolve os problemas, nós estamos colocando em prática", justificou, após lançamento de medidas voltadas para a "modernização do futebol".

A presidente disse ainda que escolherá o novo ministro o mais rápido possível e que não levará em conta interesses partidários. "O MEC não é dado para ninguém. O MEC é um ministério dos mais importantes do País", ressaltou.

Conselhos

As recomendações teriam partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de políticos aliados. Lula teria dito à presidente que é preciso mudar o comando da Casa Civil. Parlamentares petistas já pressionavam para que a presidente tirasse Cid do MEC e colocasse Aloizio Mercadante de volta na pasta que comandou até o início do ano passado. Assim, ela abriria espaço para mudar a articulação política. Ex-governador do Ceará, Cid pediu demissão depois de reforçar na Câmara que há deputados que são achacadores e atacar o PMDB.

Além de Cid, Mercadante e Pepe Vargas, que comanda a Secretaria de Relações Institucionais e faz a ponte com o Congresso, também estariam na corda bamba os ministros do Turismo, Vinicius Lages, e da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann. Lages cederia a pasta ao ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves. Nos bastidores, aliados dizem que o ministério foi prometido a ele, caso o nome dele não aparecesse na lista da Lava Jato. Já Thomas, que havia pedido para sair no fim do ano passado, teria levado uma bronca da presidente após deixar vazar um documento que classifica a comunicação do Planalto como "errada e errática".