NOTÍCIAS
19/03/2015 12:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Obama diz que deveria ter fechado presídio de Guantánamo em seu primeiro dia como presidente

AP Photo

O presidente dos Estados Unidos,Barack Obama, disse nesta quarta-feira (18) que deveria ter fechado o presídio de Guantánamo, em Cuba, logo após chegar à Casa Branca em 2009, quando parecia haver consenso com a oposição republicana sobre a necessidade de desativar a prisão. Perguntado em um evento em Cleveland, no Estado de Ohio, sobre o que faria se pudesse voltar a seu primeiro dia na Casa Branca, Obama respondeu que "fecharia Guantánamo".

"Tínhamos um acordo bipartidário de que Guantánamo devia ser fechado. Pensei que tínhamos um consenso e que faríamos isso tranquilamente", explicou o presidente. "No entanto, a política se tornou mais dura, e as pessoas começaram a assustar-se pela retórica sobre Guantánamo. O mais factível foi deixá-lo aberto, embora isso não represente o que somos como país", acrescentou.

Obama fez estas declarações durante um evento em que anunciou novos investimentos para o setor manufatureiro. O fechamento de Guantánamo é uma das grandes promessas eleitorais de Obama ainda pendentes desde sua primeira campanha em 2008. No presídio ainda restam 122 prisioneiros, 54 deles com o sinal verde para serem transferidos a outros países. O presidente e seus assessores trabalham contra o relógio para fechar o centro de detenção nos dois anos que lhe restam na Presidência. O maior empecilho é a ferrenha oposição dos republicanos, que controlam as duas Casas do Congresso.

Apenas no último mês de janeiro os Estados Unidos transferiram vinte presos: quatro a Omã, um à Estônia, seis amparados pelo Uruguai, quatro repatriados ao Afeganistão e outros cinco enviados ao Cazaquistão.

Após os ataques terroristas em Paris no início desse ano, a oposição republicana no Senado apresentou um projeto de lei para limitar a capacidade do presidente na hora de transferir os presos de Guantánamo. A prisão foi criada em uma base militar americana pela administração de George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001 para abrigar suspeitos de terrorismo e chegou a receber cerca de 800 prisioneiros, muitos sem acusações formais.