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18/03/2015 11:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Indonésia não deve executar condenados nas próximas semanas ou meses, diz vice-presidente do país

Agências de Notícias

Após uma série de incidentes diplomáticos envolvendo países como a Austrália, o Brasil e a Holanda, a Indonésia não deve executar um grupo de condenados no corredor da morte dentro de semanas ou até mesmo meses, disse o vice-presidente Jusuf Kalla nesta quarta-feira (18).

O país está mais cauteloso em relação aos recursos após esforços diplomáticos dos países que têm cidadãos no corredor da morte para tentar evitar as execuções, de acordo com Kalla.

A família do brasileiro Rodrigo Gularte pediu clemência por motivos de doença mental - ele sofre de esquizofrenia. Na semana passada, o procurador-geral disse a repórteres em Jacarta que Gularte estava sendo examinado por profissionais médicos. As autoridades ainda aguardam os resultados.

A maioria das dez pessoas condenadas por tráfico de drogas foi transferida para a ilha-prisão de Nusakambangan para execução por fuzilamento. O grupo inclui cidadãos da Austrália, França, Brasil, Filipinas, Gana, Nigéria e Indonésia.

"Nós sempre iremos ouvir e considerar opiniões, não apenas da Austrália, mas também de França e Brasil", disse Kalla em entrevista. "É por isso que estamos sendo muito cuidadosos... após os processos da lei."

No dia 17 de janeiro a Indonésia executou o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, condenado à morte em 2004 por tentar entrar no país com mais de 13 kg de cocaína no ano anterior.

A execução da pena rendeu uma série de incidentes diplomáticos entre o Brasil e a Indonésia. A presidente brasileira,Dilma Rousseff, convocou o embaixador do Brasil em Jacarta para consultas logo após o fuzilamento de Archer.

Depois, já em fevereiro, o governo brasileiro adiou, na última hora, o recebimento das credenciais do embaixador da Indonésia, Toto Riyanto, à espera de uma solução para o caso de Gularte. O que era para ser uma manobra diplomática forte se tornou, no entanto, mais uma saia justa: Riyanto foi avisado que Dilma não lhe receberia quando já estava na cerimônia, no Palácio do Planalto.

A Indonésia reagiu com indignação ao incidente, e classificou a atitude do governo brasileiro como "inaceitável". Foi a vez do Ministério das Relações Exteriores da Indonésia chamar o embaixador brasileiro em Jacarta, Paulo Soares, para consultas. O governo da Indonésia também chamou seu embaixador de volta a Jacarta até que o governo brasileiro marque uma data para que ele apresente suas credenciais.

A crise não ficou restrita aos dois países. A Austrália também fez uma infinidade de propostas à Indonésia, no intuito de livrar dois cidadãos australianos condenados à morte por tráfico de drogas.

Entre as propostas feitas pelo país, estava uma troca de prisioneiros com a Indonésia, que negou o pedido alegando que o país não conta com leis que amparem esse tipo de procedimento.

O governo australiano vem explorando todas as possibilidades para livrar os dois do fuzilamento. Em meados de fevereiro, os australianos elevaram a pressão sobre o país usando a ajuda humanitária prestada após o tsunami de 2004 como uma razão para livrar os dois.

De acordo com a BBC, os australianos enviaram US$ 780 milhões para o país. A tragédia deixou cerca de 200 mil mortos e desaparecidos.

Na ocasião, o governo da Indonésia criticou os australianos, afirmando que “ameaças não fazem parte da linguagem diplomática”.