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17/03/2015 22:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Quase 150 genes humanos podem ter vindo de microbios

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Se você é do tipo que acha que a Monsanto ainda vai causar o apocalipse zumbi, é melhor se segurar na cadeira. Você é transgênico.

Um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido) publicou um estudo no qual identificou 128 genes no corpo humano que vieram de micro-organismos, a maioria bactérias, mas também protistas e fungos.

Esses juntam aos 17 identificados anteriormente e confirmados pelo estudo, chegando a 145 genes em mim, você, sua sogra e o porteiro que um dia estiveram em minúsculos “convidados” e acabaram entrando em nossos ancestrais e passados adiante, no processo de transferência horizontal de genes.

Esse é o termo para quando genes de uma espécie vão parar em outra, através de vírus ou outros processos. Basicamente, o que estamos fazendo de propósito com os transgênicos. (Transferência vertical, por outro lado, é a reprodução. Basicamente, o que estamos fazendo por acidente no Carnaval)

A transferência horizontal é bem conhecida entre as próprias bactérias, pois é uma forma que a resistência a antibióticos passa de uma espécie para a outra. Também era famoso o caso da broca do café, inseto que herdou de bactérias sua capacidade para digerir o grão sem ter um ataque de tremedeira ou ficar no Facebook até as 3h30 da manhã.

O estudo é o primeiro estudo a identificar, firmemente, a transferência horizontal acontecendo em vertebrados superiores. E os genes “importados” ainda funcionam: eles são responsáveis por coisas desde o metabolismo de gordura até o sistema sanguíneo ABO.

A maioria deles é extremamente antiga, datando de entre o surgimento do primeiro primata, mais ou menos da época da extinção dos dinossauros, há 64 milhões de anos, e bem antes, no ancestral de todos os vertebrados, há mais de 500 milhões de anos.

“Este é o primeiro estudo a mostrar quão ampla a transferência horizontal de genes acontece em animais, inclusive humanos, dando origem a dezenas ou centenas de genes ativos ‘estrangeiros’”, afirmou Alastair Crisp, o principal autor do estudo.

“Surpreendentemente, longe de ser uma ocorrência rara, parece que a THG contribuiu para a evolução de muitos, talvez todos, os animais. E o processo continua, o que quer dizer que talvez devamos reavaliar como pensamos na evolução.”

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