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16/03/2015 19:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Pressionada pelos protestos, presidente Dilma Rousseff apela para humildade, mas se esquiva de admitir erros

Montagem/Presidência/Fotos Públicas

Confrontada pelas milhares de pessoas que estiveram nas ruas no domingo (15), a presidente Dilma Rousseff tem dificuldade de apontar onde errou. Em entrevista coletiva, após a sanção do novo Código do Processo Civil, a mandatária chegou até a dizer que a relação com o Congresso, principalmente o PMDB, é boa e a minimizar os problemas na economia. "Longe do meu governo achar que não cometemos erro nenhum, agora eu não posso concordar ser responsabilizada por algo que seria pior se nós tivéssemos deixado". Pressionada para dizer onde errou, ela respondeu:

"Me digam onde. Eu concordo se tiver de fato uma atitude do governo que não foi uma atitude aberta, foi uma atitude de preconceito e pouco humilde ou autoritária."

A petista insistiu que o lugar não era de confessionário e depois recuou: "quem sabe não fui (humilde) mesmo". "Aí me diz onde que eu vou avaliar. Caso contrário, seria um absoluto fingimento da minha parte". Como solução para a demanda dos manifestantes, a mandatária disse que está aberta ao diálogo, mas, em seguida, acrescentou que está disposta a dialogar apenas com quem quer.

No Legislativo, um dos principais obstáculos do governo é a articulação política. A presidente tem travado batalhas tanto na Câmara quanto no Senado. Logo no início desta legislatura, o candidato do PT à presidência da Câmara foi duramente derrotado pelo então líder do PMDB, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A presidente, entretanto, não reconhece.

"O Congresso não tem sido adverso no meu governo. Sempre que foi explicado, que foi debatido antes, o Congresso foi bastante sensível. Tem sido sensível. Eu não vejo assim um embate", disse.

Recentemente, ela teria sido aconselhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tirar o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante do conselho político. Outro ministro que está na eminência de deixar o cargo é o chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, responsável direto pelas relações com os parlamentares. Eles têm tido dificuldade de se relacionar com o PMDB, aliado na chapa da presidente.

"Longe de nós querer isolar o PMDB. O vice na minha chapa é o companheiro Michel Temer. Nós temos uma parceria com o PMDB, que integra, participa do governo”, disse, acrescentando, porém, que a situação no Brasil demanda uma “construção de diálogo”.

Economia

Nem na economia, com o dólar nas alturas, a presidente reconheceu que algo poderia ser diferente. Segundo ela, a economia não reagiu e todo esforço foi feito.

"É possível que a gente possa até ter cometido algum (erro de dosagem). Mas qual foi o erro que nós cometemos? Nós gostaríamos muito que houvesse crescimento de emprego e renda. Tem gente que acha que a gente devia ter deixado algumas empresas quebrarem e muitos trabalhadores se desempregarem.. Eu tendo a achar que é um custo muito grande."

Disse ainda ter clareza de que o processo foi se agravando, mas defendeu o ajuste fiscal. Ela disse que será firme, que não vai deixar de dizer para todo mundo que queremos fazer o ajuste. "Tem coisas que você dialoga, mas você não abre mão daquilo que você acredita que vai contribuir, como ninguém no mundo faz isso."

Corrupção

A presidente reforçou ainda que apresentará um pacote de medidas de combate à corrupção em breve. Sem detalhar, ela disse que o projeto é semelhante ao apresentado no na campanha eleitoral.

Nesta segunda-feira (16), o presidente da Câmara afirmou que a corrupção está no Executivo e não no Legislativo. A petista, entretanto, rechaçou as declarações do peemedebista. "A corrupção é uma senhora bastante idosa e não poupa ninguém. Pode estar em todo lugar, inclusive no setor privado", emendou.

O único erro que a presidente admitiu foi no controle do Financiamento Estudantil. "Cometemos um erro no Fies ao deixar as matrículas a cargo das instituições particulares. Voltamos atrás e estamos corrigindo o problema. Agora, o governo vai disponibilizar as matrículas", justificou.