COMPORTAMENTO
16/03/2015 10:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Ensaio com desenhos em preto e branco traz detalhes hiper-realistas da velhice (FOTOS)

Antonio Finelli

“A pergunta que normalmente me fazem é: como um artista de 30 anos, sendo tão jovem, pode ser tão fascinado pelo envelhecimento e pelas rugas que marcam o rosto de cada pessoa?”, explicou Antonio Finelli, em e-mail ao The Huffington Post. De fato, a julgar por seus trabalhos, o artista italiano realmente parece possuir uma misteriosa fascinação pelas formas das rugas, sulcos e vincos. A maneira pela qual a pele murcha e torna-se flácida com o tempo.

Finelli canaliza esse interesse em desenhos descontroladamente intricados e hiper-realistas, encontros de ângulos muito próximos com estranhos que mostram o desgaste do tempo na carne em bonitas formas, totalmente únicas. Nas representações meticulosas de Finelli, as bochechas começam a enrugar, aparecem as papadas e a pele se transforma numa sombra ao mesmo tempo manchada e translúcida. No entanto, no decorrer das intensas mudanças físicas, os olhos dos indivíduos retratados permanecem brilhantes e lúcidos como nunca.

“Sou continuamente obcecado pela descamação do corpo ao longo do tempo”, continua Finelli. “Na verdade, não gosto de representar num desenho a velhice em si, mas sim a passagem do tempo que termina necessariamente com este estado humano. Sou profundamente apaixonado pelo corpo humano, pela pele — sua camada mais externa, que absorve e registra todas as experiências de nossa vida — mas, acima de tudo, tenho interesse pela evolução do corpo, sua transformação através dos anos. Fico intrigado pelos sinais, linhas, pontos, que enriquecem nossa cútis ano após ano, e são testemunho de todas mudanças de nossas vidas.”

Com a ajuda de alguns lápis bem apontados, borrachas e lupas, Finelli cria retratos íntimos tão realistas que se tem a sensação, ao olhar para eles, que estamos cara a cara com alguém completamente estranho. Exceto pelo fato de que o artista deixa momentos do seu processo incompletos, um profundo lembrete da transformação pela qual todos nós iremos passar.

“Com meus retratos, quero trazer um pensamento específico na mente do espectador: o corpo sofre uma metamorfose ao longo da lenta passagem do tempo. Com isso, vem o envelhecimento, que chega mais cedo ou mais tarde na vida de todos. Não há nada o que possamos fazer. A única maneira possível de redenção dessa condição é a morte.”

Descubra a beleza de nossa iminente mortalidade nas imagens abaixo. Atenção, alguns desenhos mostram pessoas nuas e podem não ser adequados para o ambiente de trabalho.