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13/03/2015 22:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Descoberta de água em luas de Saturno e Júpiter aumenta chances de vida extraterrestre

Nesta quinta (12), a Nasa anunciou que encontrou um oceano por baixo da crosta de gelo que cobre uma das luas de Júpiter.

Um dia antes, cientistas anunciaram que há grandes chances de haver termas de água fervente em uma das luas de Saturno.

As descobertas aumentam em grande medida a possibilidade de encontrarmos vida fora de nosso planeta.

Calma, a gente explica

Ganímedes, a maior lua de Júpiter e de nosso sistema solar, possui um núcleo de ferro assim como a Terra, o que gera um campo magnético.

Este campo magnético interage com o campo magnético de Júpiter, que faz surgir duas auroras brilhantes em Ganímedes, uma no polo norte e outra no sul.

Estas são as auroras de Ganímedes, com Júpiter ao fundo

Porém, um comportamento suspeito do magnetismo do satélite levantou suspeitas nos cientistas.

Isso porque as auroras de Ganímedes, que deveriam ser bastante agitadas por causa da influência de Júpiter, se mostraram mais calminhas do que o previsto.

A calmaria levou os pesquisadores à conclusão de que apenas um oceano salgado, capaz de conduzir eletricidade, poderia estar refreando o fenômeno.

Estima-se que, abaixo dos 150 quilômetros de gelo que encobrem Ganímedes, os monumentais volumes de água líquida podem podem chegar a até 100 quilômetros de profundidade (para referência: as Fossas Marianas, ponto mais profundo de nosso oceano, mal chegam a um décimo disso).

A descoberta condecora Ganímedes como um potencial berço de vida extraterrestre, ao lado de outros satélites úmidos que ficam às margens de nosso sistema solar.

Já se sabe que Europa e Callisto, duas das sessenta luas que orbitam em torno de Júpiter, possuem vastos corpos de água.

A primeira, inclusive, é "polvilhada" constantemente por uma grande quantidade de enxofre - elemento químico que foi fundamental para o surgimento da vida na Terra - oriunda dos enormes vulcões de Io, uma outra lua de Júpiter.

E não é só isso...

Outro corpo celeste a entrar para o rol é Encélado.

Ao contrário de Ganímedes, cujo diâmetro é de mais de 5 mil quilômetros, Encélado é bem pequenininha, mal ultrapassa 500 quilômetros de "cintura".

Mas tamanho não é documento quando estamos falando de casa de ET: segundo um artigo publicado nesta quarta (11) na Nature, a diminuta lua de Saturno possui termas de água quente debaixo de sua superfície congelada.

Encélado e suas termas de água quente

Desde 2005, já se sabia que Encélado jogava vapor d'água no espaço. A suspeita, àquela altura, era de que os jatos se deviam à influência magnética de Saturno sobre o mini-satélite.

Estes jatos, ricos em partículas de rocha (SiO2) se dispersavam no espaço e acabavam indo parar nos lindos aneis de Saturno.

No entanto, segundo as descrições deste novo artigo que analisa a composição dos aneis, essas partículas só podem resultar da presença fontes hidrotermais cuja água tenha sido aquecida a ao menos 90ºC e dissolvido minerais do núcleo rochoso de Encélado.

Traduzindo: há grandes chances de que haja uma enorme camada de água fervente no fundo dos oceanos desta lua gelada.

Estes gêiseres são quase perfeitamente idênticos ao ambiente onde -- de acordo com parte dos cientistas -- surgiu a vida na Terra.

E o Universo acaba de ficar muito, mais muito mais interessante.

Não é legal?!

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